Passados dois meses desde a última edição, voltou a decorrer, na passada sexta-feira, mais uma Cartaxo Sessions. Nesta noite, o palco ficou entregue aos Thee Seizure e aos New Candys.
Thee Seizure abriram as hostilidades. Lisboetas de origem, encantaram-nos com o seu psicadelismo e energia. Com uma abordagem musical ao estilo dos The Doors e Jon Lord, com um travo a The Stooges, tocaram o mais recente trabalho na íntegra juntamente com duas covers. Numa mistura de energia frenética e uma tranquilidade espiritual, conseguiram transformar o concerto num festival de adrenalina e paixão ao estilo de Woodstock e Ilha de Wight. Riffs cortantes, bateria compassada e um wah-wah gritante fizeram com que as Cartaxo Sessions suassem do teto até ao chão. No entanto, o toque final, sem contestação, foi o órgão VOX de Alex, que trouxe de volta a alma rock dos anos 60. Acrescenta-se a tudo isso uma mentalidade DIY, numa banda que atravessa dificuldades internas com a saída de integrantes por divergências de visão musical. Órgão e bateria: não é preciso mais nada para animar a noite. Possivelmente, para muitos, evocou memórias dos bailes das associações, onde um órgão e uma bateria cheios de vitalidade e ímpeto bastavam para mexer com os corações adormecidos de quem ansiava por lazer após uma semana exaustiva. A capacidade da música de vencer barreiras como sentimentos de raiva, tristeza ou enfermidades como a epilepsia ficou evidente neste concerto. Excitação e exuberância foram a corrente elétrica deste concerto.
Depois de tanto alvoroço, foram os New Candys que trouxeram a paz. Oriundos de Veneza, Itália, levaram-nos a navegar pelos horizontes da mente humana através de um post-rock misturado com eletrónica e new wave. Um concerto marcado pela escolha do repertório, que abrangeu quase todos os álbuns da banda. Obviamente, o que mais tocaram foram temas do último álbum lançado em 2025, “The Uncanny Extravaganza”. Num cruzamento de psicadelismo melancólico e post-rock, inspirado em The Jesus and Mary Chain e The Brian Jonestown Massacre, reviraram a mente humana numa viagem aos pensamentos mais introspetivos de cada pessoa. Batidas de bateria hipnóticas, linhas de baixo robustas, guitarras estridentes e voz suave foram o que estes “kinkys” (como foram descritos por Iggy Pop) utilizaram para encantar o que restava da noite no Centro Cultural do Cartaxo. Porém, esta travessia foi impulsionada pelos sentidos das palavras, versando sobre surrealismo e mistérios desenhados em nuances oníricas e reflexivas. A adesão do público foi tanta que este mereceu um encore. Mas um encore à italiana: ao invés de tocarem mais uma música, brindaram-nos com mais duas. Foi o delírio total. Passámos de sentimentos introspetivos para emoções à flor da pele. Bela forma de terminar um concerto. Do início ao fim, a música deles penetrou a consciência e capturou a alma das pessoas.
Texto de António Gomes e Fotografias de António Gomes, Gonçalo Nogueira e Iolanda Pereira




















