Na primeira edição de 2026, os organizadores das Cartaxo Sessions cumpriram o sonho de acolher os Mão Morta no auditório do Centro Cultural para uma sessão extra do pungente e profundo Viva la Muerte.
Quem vem de 40 anos de carreira, chegando aos 50 anos da liberdade da madrugada de abril, não vira à direita para a Alameda do conformismo, mas segue sempre em frente, pelos árduos trilhos da relevância e da substância, acompanhando a necessidade da luta, até chegar ao brilhante Viva La Muerte (2025) e ao concernente espetáculo.
Aí, envereda-se por uma extensa digressão nacional que merecerá a edição de um disco ao vivo, até chegar ao Auditório do Centro Cultural do Cartaxo, mesmo à frente da Praça de Touros a trazer lembranças de outros tempos. Entram pelo auditório os seis músicos da banda e os cinco membros do coro, todos ostentando fardas militares.
Contorna-se “Deus Pátria Autoridade” e o arrepiante trecho inicial do coro – «Em deus, por deus, com deus, viva deus» – e depois de sermos lembrados pelo maestro Adolfo Luxúria Canibal que «O mito (…) obriga ao abdicar do pensamento», somos exortados a correr, correr, correr! A sensação é parecida com a que nos causou “Run like Hell”, mas as ruas líricas e as esquinas sónicas bastante diferentes.
Depois, a extensa lista de proibições acompanhada de um crescendo orquestral de fazer levantar os pelos do braço em direcção à preservação da «identidade de todos nós. É proibido! É proibido! É proibido! É proibido! É proibido!» até chegar a um arranha-céus de «rancor … medo … nojo … Ódio … Asco … Desdém … Raiva … Inveja»
Aí, vira à direita para a rua onde «numa idade avançada vive a mãe da Liberdade», mas ninguém, nem as percussões nem os coros setentistas sabem por onde pára a Liberdade.
Mais do que encantados nos cadeirões do Centro Cultural, somos atacados pelo peso assustador do “Pensamento Único” … «o líder é a voz do povo, a voz da nação!» e empurrados para o lento e doce arrastar de “Líder Povo Nação” até cairmos na “Ratoeira Bélica” pois «as notícias são claras, a pátria está sob ataque».
No fim não se encontra a… maternidade… maternidade… O tempo não espera por mim, nem foi para isto que nasci!
«Ninguém nasceu pra ser servil e morrer»
Fotografias de Iolanda Pereira (2 a 6), Gonçalo Nogueira (7 a 11), Toni do Rock (12 a 16) e Rui Gato (1 e 17 a 20)



















