O Vortex e a ATR trouxeram-nos os Magnetismo Sonoro Excéntrico de Sevilha e Swaraj Cronos de Londres para uma experiência científica com o objetivo de testar a nossa elasticidade sónica! Ficámos, muitas vezes, à toa… mas com a alma e os ouvidos super bem tratados!
Imaginem juntar num mesmo cartaz o Vortex e a ATR (Associação Terapêutica do Ruído) … Ah, não é preciso imaginar, aconteceu mesmo. Foi na passada sexta-feira e o Altamont foi testemunha no casamento da irreverência com a desconformidade. E se é verdade que o reflexo patelar ao ouvir estes dois nomes serão dois valentes pontapés punk, mais verdade será que ambos os colectivos nos têm mostrado o quão este vocábulo (o punk, quero dizer) extravasa aparências, rituais ou fórmulas musicais.
As letras maiores, no entanto, foram merecidamente para as bandas: os espanhóis Magnetismo Sonoro Excéntrico e os britânicos Swaraj Cronos, cujo máximo divisor comum será, muito provavelmente, a inutilidade de tentar catalogar e a dificuldade de tentar descrever a sua sonoridade. Eu vou tentar na mesma!
Os Swaraj Cronos são um quarteto com uma vasta lista de etiquetas que os persegue, como: punk, hardcore, goth, crust, experimental ou post punk. Junte-se-lhes ainda muitas fugas para ritmos quase tribais e outras para momentos jazzy e, finalmente, a diversidade cultural da afamada zona sul de Londres. Ao princípio, a forma como a banda malabariza e integra todas estas influências estranha-se, mas à medida que o concerto avança, vamos ficando encantados, sobretudo, com a belíssima voz de Vanessa, que na minha imaginação fértil deverá ter fugido de um clube de jazz por ser tudo demasiado certinho.
O alinhamento dividiu-se entre os temas dos dois discos da banda, Gibberish Madness (2024) e Sinners (2021), havendo ainda espaço para 2 temas novos. A quem não foi, recomendo uma espreitadela ao bandcamp da banda, para ouvir pelo menos a bonita “Broken Dolls”, a agitadíssima “Tic Toc” e fabuloso hino “We can’t breathe” com que fecharam o concerto.
A história oficial dos Magnetismo Sonoro Excéntrico pode até ser outra, desafio-vos a virem contá-la! Até lá ficam com a minha! Cansado de tocar para turistas nas vielas ardentes de Sevilha, o jovem Mario Garcia – que dizem as más línguas andaluzas, ser um filho bastardo do Jorge Palma – decidiu formar uma banda e procurar a penumbra de uma garagem. Com ouvido para a coisa, sacou 3 comparsas talentosos, mas indeciso com o caminho sónico a prosseguir, foi buscá-los a famílias completamente diferentes, e de acordo com as mesmas línguas, desavindas! Não acharão estranho, portanto, quando vos contar que os primeiros ensaios da banda, que até por fora faz os Him parecerem os Village People, mereceram umas tantas reclamações dos vizinhos e os obrigaram a isolar-se numa quinta remota. Hoje em dia ensaiam num antigo depósito de nozes, e as guitarras e os teclados de Mario, têm a companhia dos baixos de um cinquentão recuperado a uma banda de blues com mais de 30 anos de estrada, a bateria dum recém papá que queria tocar Prog Rock musculado, mas só encontrava fãs de Marillion, e as guitarras e brinquedos estranhos de uma adolescento meio emo … esse que queria mesmo era ir fazer barulho para os Estados Unidos!
No Vortex, ainda se sente o caos, a espaço organizado, que o quarteto espalhou na sexta feira. E se os Swaraj Cronos nos baralharam ao início, não sei que termo utilizar para o que nos fizeram estes espanhóis! Digamos que, em primeiro lugar, nos atiraram contra a parede (deve ser a parte do excêntrico) para seguidamente nos magnetizar e deixar pregados a escutar, a tentar perceber para onde iam … para onde aquilo tudo ia! Como não sei que metáfora utilizar, junto as duas … foi uma viagem numa montanha russa alimentada a cocktails molotov e a copos de tinto verano! Uma maluqueira da boa e cheia de sentido!























