Lena d’Água é, sem qualquer dúvida, a rainha da pop nacional. Com uma carreira com mais de 40 anos, os seus concertos continuam a ser uma lufada de ar fresco. No São Luiz Teatro Municipal, sua majestade apresentou o novíssimo disco Tropical Glaciar.
O que mais me fascina na Lena d’Água é que passados tantos anos, a miúda dos Salada de Fruta, continua a ser uma figura incomparável na música nacional. Existem duas Lenas, a dos anos 80 e a do seculo XXI, e ambas continuam a ser um sucesso, e isso vê-se pelo publico presente na belíssima sala do São Luiz. Encontrámos pessoas de várias gerações: X, Y e Z e todos em sintonia quer quando se ouve “Robot” ou “Hipocampo”.
E destas dicotomias foi feito o alinhamento, sem qualquer prejuízo para canções novas ou antigas. Se em “Dou-te um Doce” o público automaticamente começou a baloiçar-se no assento, a fazer lembrar as ondas do mar no teledisco da canção; em “Grande Festa” os braços ergueram-se no ar.
O muito recente Tropical Glaciar foi tocado na integra, e no dia do concerto nem sequer tinha sido lançado e que não impediu a sua fantástica recepção. Este disco continua com a parceria entre Lena d’Água e o fantástico Pedro da Silva Martins, a quem Lena se referiu como um “costureiro de alta-costura”.
Pedro da Silva Martins também faz parte da banda que acompanha Lena d’Água em palco, agora com nova formação: Pedro da Silva Martins (guitarra e vozes), Luís J. Martins (guitarra e vozes), Nuno Prata (baixo), Catarina Falcão (guitarra e vozes), Sérgio Nascimento (bateria, percussão e vozes) e Vicente Santos (teclado e vozes).
De destacar o momento lindíssimo onde Lena d’Água e Catarina Falcão ficaram sozinhas em palco e interpretaram “Voltas Trocadas” apenas com guitarra e vozes, e no final entoaram as palavras de John Lennon: “War is over, if you want it”.
Em quase duas horas de concerto a rainha Lena d’Água mostrou que não vive de saudosismos, e que tem os olhos no presente e no futuro, neste disco apresentado em concerto e nos planos para os 50 anos de carreira.
Deixem-me partilhar uma nota final, enquanto assistia ao espetáculo, com a minha credencial ao pescoço, só pensava como sou afortunada. Primeiro por ter nascido nos anos 80 em Portugal, e ser contemporânea de uma artista como a Lena d’Água (ainda que isso implique COVID, guerras e alterações climáticas), e segundo por poder assistir a um concerto daqueles e depois poder vir aqui tentar partilhar o que se viveu naquela noite.
Alinhamento:
- TROPICAL GLACIAR
- FRUTA FEIA
- CHÁ
- GRANDE FESTA
- VÍGARO
- ROBOT
- O QUE FOMOS
- NAQUELA
- SEMENTE
- DEMAGOGIA
- CARROSSEL
- DOU-TE UM DOCE
- CARNE VEGAN
- METAVERSÃO
- SEMPRE QUE O AMOR ME QUISER
- HIPOCAMPO
- POP TOMA
ENCORE
- VOLTAS TROCADAS (GUITARRA E VOZ)
- DESALMADAMENTE
- SEM PRESSA
Fotografias: Cecile Lopes






















