Com era com h, os Lavoisier reforçam a sua posição como um dos projectos mais consistentes na reinvenção da música tradicional portuguesa.
O novo disco de Lavoisier, era com h, é um hino à poesia. É, na verdade, poesia cantada, escritos inéditos por poetas, de propósito para este disco, criando um trabalho de uma beleza rara e marcando uma nova trajetória no projeto de Roberto Afonso e Patrícia Relvas.
Lavoisier sempre exploraram e dilataram estes limites ténues entre poesia e música. Neste disco, juntam o folclore português, com presença dos nossos sons mais tradicionais, com poemas originais de dez poetas contemporâneos que a dupla admira: Alice Neto de Sousa, Filipe Homem Fonseca, José Anjos, José Luís Peixoto, Maria Giulia Pinheiro, Maria do Rosário Pedreira, Nástio Mosquito, Nuno Miguel Guedes, Raquel Nobre Guerra e Vinicius Terra. Dez poemas transformados em canções, dez momentos mágicos e muito diferentes entre si, mas mantendo um fio condutor.
É uma conversa simbiótica entre modernidade e tradição. Começamos logo com “Ponte”, uma faixa mais pesada, com guitarras cruas, minimalista, imediatamente equilibrada com a leveza e tradição de “Banquete Ácido”. Avançamos até “Pé de Vento”, um lamurio lento, de guitarras densas. Em “Portugal não me respeita” mantemos esta sonoridade e em “Quiçá o mar” redobramos a energia. “Era uma Menina” arranca com assobio western que acompanha uma letra triste e melancólica. E, a fechar, a sonhadora “Melúria” transporta-nos para outra dimensão.
Em era com h, os Lavoisier reforçam a sua posição como um dos projetos mais consistentes na reinvenção da música tradicional portuguesa. O novo álbum aprofunda esta estética muito própria que o duo tem vindo a construir, equilibrando a herança folclórica com uma abordagem contemporânea. É um disco com letras muito diferentes, mas que mantém a coerência, com ambientes contemplativos, quase de sonho, e outros mais abruptos, mantendo o ouvinte atento ao que virá a seguir.
era com h é um trabalho pensado na sua estrutura e na forma como alia poesia, tradição e contemporaneidade. Este é um disco para ser ouvido com atenção, para descobrir todas as camadas escondidas. Não é um disco óbvio à primeira mas um ouvinte atento será recompensado.