No dia do 12º aniversário das Cartaxo Sessions, a chuva (lá fora) veio abençoar a festa e ajudou a arrefecer os ânimos incendiados por uma dupla de bandas com nomes tão pouco banais como a música que produzem!
Não se deixem enganar pelas duas cadeiras no palco instalado no átrio de entrada do Centro Cultural do Cartaxo, nem muito menos pelo facto do vocalista/guitarrista e do baixista dos Green Milk from the Planet Orange terem passado a grande parte da sua atuação sentados. Antes eles, do que nós, pois o som do trio japonês convida ao balanço e ao movimento frenético. Eles chamam-lhe música progressiva extrema, e essa estranha etiqueta parece encaixar-lhes na perfeição. A banda não veio de outro planeta, mas veio de nave espacial. O veículo em que embarcamos para uma viagem sideral, a todas as cores, a todas as velocidades! Estes capitães não temem a turbulência, ao invés, procuram-na, absorvendo toda a tensão que vamos encontrando para a libertar em alucinantes momentos do punk mais harcore que as vossas mentes conseguirem imaginar!
Dos confins do espaço passamos aos confins da pista de dança da cave escura e suja… ali mesmo ao lado do sítio onde deixei as vossas mentes. Como a vida gosta muito de andar às voltas (e de nos dar voltas), a formação atual dos Throw Down Bones é composta por membros de duas bandas que atuaram numa das primeiras noites das Cartaxo Sessions: o italiano Francesco Vanni (guitarra e maquinaria) com os Piatcions e os franceses Marion Andrau (baixo) e Raphael Mura (bateria) com os Underground Railroad.
O trio encontrou encontrou em Londres a sua casa e na Fuzz Club Records (The Jesus and Mary Chain, Night Beats, Máquina, …) a sua editora. Como as etiquetas, muitas vezes, acabam por dar jeito nestes meandros, eu arrisco “Rock de Fuzzão” para caracterizar o som da banda. Psicadelismo, eletrónica, krautrock, noise e música industrial em doses equilibradas temperadas por um forte espírito punk e misturadas numa velha batedeira. O resultado tem tanto de coerente como de viciante, especialmente quando debitado ao vivo, ali à nossa frente.
Se é certo que não cheguei cedo às Cartaxo Sessions – o histórico é brutal e fez-me pensar onde raio andei este tempo todo – também não cheguei tarde. A ideia de ir até ao Cartaxo no final de uma semana tão puxada e cinzenta como a passada, pode parecer tonta… mas algumas horas de espírito e entrega rock’n’roll daquela malta e duas bandas eletrizantes carregaram-me as baterias e o espírito até ao topo!































