Entre a voz, a guitarra e o silêncio atento da sala, o concerto tornou-se um lugar de revelação: não apenas do presente da cantora madeirense, mas dos primeiros contornos de um próximo álbum que já respira na relação com quem a escuta.
Num registo intimista e de atmosfera familiar, Elisa continuou a sua ronda de concertos pelo país com a naturalidade de quem prefere começar por dentro. Para lá das canções já conhecidas e reconhecidas, apresentou músicas de um disco ainda por editar, construído na delicadeza da voz e na contenção da guitarra.
Esteve em palco como quem está em casa. Aos 26 anos, apresentou-se próxima do público, onde em cada canção brotava a clareza das palavras e da mensagem. Não houve pressa: houve espaço para o silêncio, para a respiração e para uma intensidade que se foi acumulando com discrição.
Segundo a artista, integrada numa sequência de concertos sempre diferentes, esta noite serviu para reafirmar uma identidade em permanente construção e para mostrar — ainda em estado de esboço — um álbum sem data marcada, mas que já existe na relação que constrói com o público.
Assumidamente “incoerente”, Elisa prefere cruzar estilos a fixar-se em rótulos. Construiu um diálogo direto com a sala, pôs o público a cantar e encontrou na guitarra de Eduardo Faustino um aliado de peso. Bárbara Tinoco foi a convidada especial de uma noite onde os elogios foram mútuos e a cumplicidade evidente.
Sai-se deste concerto com a sensação de ter assistido a um espetáculo intimista e com uma expectativa, serena e confiante, que aguarda o que vem a seguir.
Texto: Márcia Mendes || Fotografias: Felipe Kido
















