Três bandas, três misturas explosivas bem diferentes! Um cocktail de Post Rock instrumental sem gota de Triple Sec(a)!
Confesso que, à partida, a proposta das Cartaxo Sessions para setembro me pareceu um pouco arriscada. Três bandas de post rock instrumental??? Hmmm … isso parece-me um bocado nerdy e monocromático!!! Sim, torci um pouco o nariz … mas há que confiar em quem sabe o que faz! Mês após mês, o colectivo do Cartaxo tem-nos vindo a presentear com cartazes sonicamente estimulantes! Portanto, ala, que se faz tarde, e na noite do passado sábado, Santarém foi o meu destino. Meu e de mais um bom punhado de gente, maioritariamente vestida de negro, que compôs a ampla sala da Casa do Campino.
A noite arrancou com o lento drone maquinal dos Tombfield. Escondidos atrás dos seus negros hábitos e de uma espessa camada de fumo, a dupla de músicos oriunda do Cartaxo, foi aumentando o peso e a intensidade do seu doom à medida que o público se aproximava do palco. O negrume do som e das vestes, a lentidão e a esparsa percussão contribuíram para uma atmosfera solene próxima de um ritual iniciático. Estava aberta a homília!

Os Awaiting the Vultures aproveitaram da melhor forma esta ambiência solene para nos encaminhar numa viagem sónica plena de voracidade. As composições do quarteto de Évora conjugam o peso de elementos mais próximos do metal, com a estrutura elaborada do Rock progressivo e a liberdade do post rock, de uma maneira muito personalizada, coerente e dinâmica, super dinâmica. Uma atuação brutal, a confirmar as promessas registradas em Circle – o seu segundo álbum, lançado já este ano.

Os espanhóis El Altar del Holocausto chamam logo à atenção pelo nome, pelas vestes dos Penitentes da Semana Santa e, no fundo, por uma forte ligação a toda a iconografia católica. Aliás, a sua atuação foi fortemente ritualizada, aproximando-se à encenação de uma missa … só ficando a faltar que o público se tivesse sentado em silêncio nas partes calmas! A abordagem sónica do quarteto de Salamanca é, precisamente, marcada pela dialética entre momentos de etérea calmaria, pautados pelo delicado dedilhar das guitarras, com impressionantes explosões metálicas capazes de provocar headbanging reflexo ao melómano mais empedernido! Uma experiência e tanto!
Texto e Fotografias por Rui Gato


























