Hysterical Strength, álbum de estreia da banda britânica DEADLETTER, é apelativo pela sua abordagem concisa e proficiente ao punk.
Não se pode chamá-lo de fresquinho, uma vez que já foi lançado em Setembro do ano passado, mas importa dar atenção a este disco, que me foi ficando na retina e agora me conquistou. O título do mesmo, Hysterical Strength define por si só o ambiente: vamos ter pela frente contradições da vida – por um lado a força para aplacar as dificuldades que se avizinham, por outro a histeria de nos encontrarmos face a face com a brutalidade das mesmas.
Na senda de bandas actuais como os Squid, black midi mas indo também beber a influências mais distantes como Gang of Four e Wire, os haters dirão que é só mais uma banda pós-punk. Quiçá não seja o que o mundo mais precisa, mas ao mesmo tempo é, e portanto façam ouvidos moucos ao haterismo e acolham os DEADLETTER nos vossos tímpanos por uns minutos da vossa vida. Pode ser que acabem a querer mais.
O álbum é composto por doze faixas que combinam ritmos motorik, guitarras angulares, e, em grande destaque, um omnipresente saxofone, criando uma atmosfera ao mesmo tempo sombria e bela.
A faixa de abertura, “Credit to Treason”, estabelece desde logo o tom do álbum, com uma linha de baixo serpenteante, riffs tensos e uma bateria pulsante, enquanto a voz barítona de Zac Lawrence lhe dá o sentimento de urgência. “More Heat!” destaca-se por um groove funk, onde o saxofone de Poppy Richler alterna entre lamentos melancólicos e rugidos intensos, complementando as letras, que clamam por mais calor.
“Mother” é mais uma das canções a destacar, com a banda a equilibrar contenção e explosão. A letra é também hipnótica e densa, Zac em modo spoken word e debitando longos versos para chegar ao refrão “Just forget it all and dance!”. “Relieved” permite-nos assistir aos DEADLETTER em modo energia cáustica, com um ritmo animado, a contrastar com as letras, que expressam o desconforto de suportar companhia indesejada.
“Deus Ex Machina” é uma crítica mordaz ao teatro político britânico, com letras que satirizam a administração da nada saudosa Liz Truss, acompanhadas por uma instrumentação frenética, onde guitarra e saxofone se envolvem numa batalha campal por território.
Em suma, belo disco, resta saber se alguma das organizações de festivais deste ano estavam atentos e trarão os DEADLETTER a Portugal para mostrar este Hysterical Strength (Paredes de Coura wink wink).