Concerto morno dos Water From Your Eyes, com níveis de bateria em baixo a contrastarem com a energia que o seu repertório origina.
Ainda há poucos dias aqui tínhamos colocado a crónica ao mais recente disco dos Water From Your Eyes, It’s a Beatiful Place, e agora tivemos a possibilidade de ver o duo Rachel Brown e Nate Amos ao vivo e a cores (aos quais se acrescentaram em palco Bailey Wollowitz (bateria) e Al Nardo (baixo/guitarra)).
Ao chegar à Casa Capitão, uma surpresa não anunciada previamente – íriamos ter primeira parte, a cargo de Catarina Branco. Não querendo desfazer a benesse de mais um concerto, sou da opinião que seria mais benéfico para todos a comunicação ser feita com maior antecedência. Espreitei só ao de leve a Catarina, já a tinha visto no coreto no Alive do ano passado e abençoou-nos com a sua voz delicada e arranjos minimalistas (o oposto do que vinha a seguir).
A banda de Chicago subiu ao palco pouco depois, com meia casa à sua espera, e um assumido cansaço nas costas, consequência de uma tour de quarenta concertos em quase três meses, entre Estados Unidos e vários países da Europa. Portugal ficou, como acontece na maior parte dos casos, para o fim da mesma. Há registos de que isso por vezes estimula os artistas, no sentido de darem tudo no último, outros que simplesmente sofrem por falta de bateria. Neste caso, deu-se o segundo, e notou-se logo na voz de Rachel Brown aos primeiros acordes, e assumido pela própria pouco depois. Já no caso do multi-instrumentos e feiticeiro da banda, Nate Amos, estava por demais patente no seu rosto e na nula interação que teve com o público, para lá de um pedido para não terem strobes a “explodir-lhes” na cara.
It’s a Beatiful Place foi a principal fonte de alimentação do setlist – apesar de terem já uma discografia com sete discos, foi este recente que terá levado a maioria do público a conhecê-los e a quererem ver ao vivo. A sonoridade e visual da banda, a irem buscar algumas referências pop culture dos anos 90 (Nate veio de t-shirt de Metallica e boné com referência a Nostromo, a nave de Alien) faz por vezes parecer que estamos nessas décadas, mas numa amálgama confusa e caótica de influências, que tanto podem vir do grunge como do rave, da britpop como do heavy metal. As mais bem recebidas “Life Signs” e “Playing Classics” trouxeram uma maior movimentação no público, mas o termómetro nunca passou do morno.
O encore nem sequer foi anunciado. A dupla voltou, tocou uma faixa curta, repetitiva, que soava a despedida e provocação ao mesmo tempo, e abandonou o palco antes que alguém percebesse que o concerto tinha mesmo acabado. Veredicto final: não fez jus à energia que senti no disco, e em registo festival talvez funcionasse melhor.
Fotografias: Francisco Fidalgo






















