Pelo segundo ano consecutivo, o aniversário de três amigos resultou num festival punk com tanta energia, amor e empenho que nem os kws de música amplificada somados aos litros de cerveja bebida por sua vez multiplicados pelos abraços trocados servirão para medir.
A festa meteu uma pinhata pejada de coisas boas, bancas com merch, acessórios de moda e até de comida vegan. Houve ainda lugar para um fantástico Dj set das Rat Girls in High Heels que só por me trazerem de volta o “I against I” merecia logo um prémio gigante. E, claro, música ao vivo … ao melhor espírito punk dos tempos que correm. Ou seja, uma bela de uma salada sónica em que a criatividade, o espírito rebelde e a energia interventiva rebenta escalas, aquece os corpos, agita mentes e alimenta corações.
Este último parágrafo teria ficado bem melhor se este recém cinquentenário que vos escreve tivesse aguentado a noite toda, mas ninguém é de ferro … e mesmo se o fosse, já haveria algumas peças enferrujadas com as últimas chuvas! Ainda assim, tive a sorte de assistir à atuação de meia dúzia de bandas a quem aproveito para agradecer pelos respectivos afagos sonoros que, em plena intempérie, me permitiram regressar à margem norte de sorriso de orelha a orelha!
Eu sei que os cânones destas coisas mandam descrever os acontecimentos por ordem cronológica, mas vocês não se irão importar que eu incorpore a irreverência absorvida no Gasoline, e mande tais doutrinas às couves! Vou começar pelo que mais gostei. Os October são três maduros do Barreiro, sobre os quais não consegui descobrir mais nada para além da sua origem geográfica – e acreditem, procurei! Como já mandei as regras às malvas, a minha preocupação não é tanto encher-vos de dados biográficos – ou outros – da banda. Eu queria mesmo era voltar a ouvir aquele noise rock tresloucado e viciante … na veia da fritaria de bandas que adoro como as 2 sEMIcOLCHEIAS iNVERTIDAS ou dos Musgos! Não haverá para aí gravação nenhuma?
Antes dos October, já os seus parceiros da dança camarra XANGA!H tinham aberto a festa, e já agora a pinhata, ao som do seu street punk a tresandar a ganas de gente adulta que se recusa a encaixar no sistema. Com um dos aniversariantes do dia ao micro, o protesto virou mesmo festança, comprovando-se que a revolta rima com sorrisos e abraços! Ainda a tocar em casa, outros maduros do Punk Rock … os Turbo Danger souberam manter a alta rotação de uma Gasoline cada vez mais cheia – até porque caia o céu lá fora! A mudança de vocalista não implicou nem a perda de dinâmica nem de personalidade, bem pelo contrário, e o quarteto barreirense revelou-se ainda mais rápido e devastador do que no ano passado no Vortex.
Aproveito a deixa do Vortex, para mudar de margem do Tejo e introduzir os ribatejanos Cuspo Veneno, que conheci no início de abril passado, precisamente na cave mais fixe de Lisboa (citando outro grande barreirense chamado Pedro Roque) a abrir para os mighty Nagasaki Sunrise. Desde essa altura, o quinteto deitou cá para fora o álbum Patilhas Navalhas e Rock n Roll, que vos urjo a ir ouvir o quanto antes! Se já tinha gostado dos moços na cave, ainda gostei mais de os ouvir em cima do half pipe do Gasoline. Punk hardcore com laivos de crossover dos noventas, super bem tocado e com tudo no sítio. O segundo ponto altíssimo do dia para os meus ouvidos. Os lisboetas Nic x Rage souberam apanhar a onda energética dos ribatejanos e partiram o que faltava! Mosh e Slam invadiram a sala para acompanhar a loucura boa que ia em palco! Abrasador!
Era preciso um pouco de calma, e calma foi o que os Cariño Muerto trouxeram! Bem, para ser mais honesto, a necessária calma foi mais resultado da montagem da parafernália eletrónica em palco do que outra coisa. É certo que quando o trio luso-mexicano começou a tocar, as rotações baixaram um pouco ao sabor da sua sonoridade post punk e dark wave. Nada que, no entanto, tenha esmorecido de qualquer forma os ânimos do público, notando-se, no máximo, uma alteração na indumentária de quem ocupava as filas da frente.
A festa foi bela e intensa, mas desta não deu para mais! Ficaram 3 bandas, que já andam no meu radar há algum tempo, para ver … mas, de certo, não escaparão!
Fotografias: Rui Gato





























