Post Malone voltou a Lisboa. Encheu o estádio, encheu o palco e encheu os corações dos seus fãs num concerto de duas horas em intensidade máxima!
Depois de ter fechado a edição de 2022 do Rock in Rio, Post Malone voltou a Lisboa, agora num concerto em nome próprio inserido na sua Big Ass World Tour. Habituado a misturar estilos, o músico americano não terá surpreendido assim tanta gente ao dedicar o seu último álbum, F1 Trillion (2024), ao Country, cimentando assim a sua adesão aos estilos musicais mais populares nos Estados Unidos.
A abrangência estética trespassa para a plateia mesmo antes do início do concerto, com as botas e chapéus de cowboy a fazer companhia a trajes e adereços mais próximos do Hip Hop. A seleção musical pré-concerto é, contudo, 100% dedicada ao Country, fazendo-nos duvidar se não acordamos da sesta de domingo no meio de um drama Hollywoodesco passado no interior da América.
A tarefa de aquecer as hostes é assumida por Jerry Roll, e as suas canções de redenção pessoal (ainda estou no tal filme?) num registo Country a 98 octanas, adocicado por doses simpáticas de vocalizações rap e coros R&B e temperado com momentos mais musculados. Tudo isto servido por uma à grande e à americana. É, no entanto, quando a coisa acalma em palco, que o público aquece mais. Foi assim na cover de “Country Road” e voltou a ser assim na balada “I’m not ok”, precedida de um discurso sentido sobre o poder conciliador da música num mundo polarizado.
Às 21 em ponto, apagam-se as luzes e Post Malone entra em palco! Desta vez, mais do que a pen drive que levou para o Parque da Belavista, traz uma banda completa que lhe confere um som mais cheio e mais orgânico. Mesmo a merecer os primeiros foguetes da noite! Poderão os mais cínicos alegar que não será necessário convencer convertidos, mas o artista não está para brincadeiras e a trilogia de clássicos – “Texas Tea”, “Wow” e, principalmente, “Better Now” – deixa o Restelo em ponto de rebuçado.
“Wrong Ones” traz o disco novo, o quase full on Country e a primeira troca de mimos da noite. Lisboa ficou para o fim do trecho europeu da tour e a estrela americana desculpa-se antecipadamente pelas falhas que o cansaço possa provocar. “Falhas todos temos”, como canta(va) o Kalu … mas a dupla de clássicos que se lhe seguiu – “Go Flex” e “Hollywood’s Bleeding” – escorrega com a perfeição de uma cerveja fresca em tarde de verão.
“I Fall Apart” começa com Post Malone de rastos junto à plataforma a meio do estádio. Eleva-se (ainda mais?!?!?) a carga emocional de quem o ouve e vê pelos écran gigantes e os corações ficam escancarados para a declaração de amor a Jelly Roll, que precede “Loosers” cantada em dueto! Mais fogo de artifício … e todos amam Posty! O dueto agora é com o Restelo e cantam-se “Goodbyes” emocionados, ainda que antes do tempo. Seguem-se “What Don’t Belong to Me” (de F1 Trillion) e a versão de Morgan Wallen “I Ain’t Comin’ Back” naquele que me pareceu o momento mais poppy (leia-se mais morno) da noite!
Posty dá descanso à banda, puxa do cigarro e da acústica, para da plataforma arrancar para a triste, mas muito bela “Feeling Whitney”. Os telemóveis substituem os isqueiros e hoje há mais luz em Belém do que no Cristo Rei. Do mesmo local, e acompanhado por um jovem fã à guitarra (sem palheta nem destreza, mas com muitos tomates), o clássico “Stay” é cantado quase acapella, com a sua voz potente e rouca do senhor Austin Richard Post a elevar ainda mais a parada.
Estava a gostar tanto deste momento, que confesso a minha pequena decepção ao ver a banda regressar ao palco. Estamos já na segunda parte do alinhamento, e como se estivéssemos no saloon sugerido pelos néons em palco, o artista arrisca mostrar o jogo! Pois com certeza! Um Full House! Um tio de clássicos (“Circles”, “White Iverson” e “Psycho”) e um par de novas (“Pour me a Drink”, em que Posty vai servindo cerveja fresca ao público mais sedento, e “Dead at the Honky Tonk”).
Com o aproximar do final do concerto, os motores já estão em carburação máxima, e o hit “Rockstar” é debitado num registo quase (nu) metal e pirotecnia a condizer. O êxtase já está lançado, a malta nas bancadas em pé, braços no ar e regime de festa absoluta. É tempo de “I Had Some Help” e de “Sunflower” cantada em uníssono! O público pressente o fim do espetáculo e já se vê alguma movimentação no relvado …, mas não, ninguém arreda pé para chegar a casa mais cedo … todos procuram Posty, numa outra plataforma instalada no fundo do estádio. É dali que canta “Congratulations” esgotando o resto da sua energia e derretendo quem ainda faltaria derreter! Duas horas de concerto em modo Full on throttle fazem dispensar encores, mas não dispensam uma longa volta olímpica de consagração – Post Malone parece ser o último a querer sair do estádio.
Fotos de Paulo Pinho, gentilmente cedidas pela Organização.














