O programa EUROTOIRE é uma iniciativa cofinanciada pela União Europeia que visa potenciar a colaboração artística e a internacionalização de músicos emergentes de Portugal, França e Chipre.
O programa de masterclasses do EUROTOIRE foi estruturado para capacitar artistas emergentes de Portugal, França e Chipre em áreas essenciais da indústria musical, contando com a participação de especialistas internacionais. Cada país acolheu um ciclo de quatro dias de masterclasses presenciais, seguido de sessões individuais de mentoria online para cada participante. Os temas abordados incluíram:
● Preparação para estúdio e concertos ao vivo: Suse Ribeiro (Portugal) orientou sobre como preparar e planear sessões de gravação e atuações, focando na pré-produção e no desempenho técnico e artístico.
● Monetização, direitos e networking: Michalis Karakatsanis (Chipre) explicou estratégias para monetizar a música, esclarecendo questões de direitos, royalties e oportunidades de networking.
● Promoção e abordagem a programadores: Sophie Broyer (França) partilhou estratégias para promover a música junto de festivais e salas, abordando a perspetiva dos diretores artísticos e programadores.
Ricardo Martins (Portugal) – Collective Synesthesia
Uma viagem imersiva ao coração da criação musical colaborativa com Ricardo Martins, um prolífico baterista, compositor e designer gráfico.
‘Collective Synesthesia’ foi uma exploração íntima da arte de criar obras-primas em colaboração. Nesta masterclass, Ricardo Martins partilha a sua filosofia, experiências e conhecimentos para orientar artistas emergentes no caminho para parcerias musicais extraordinárias.
O objetivo central do EUROTOIRE é fortalecer redes, exportar talento nacional e dar a conhecer a riqueza cultural portuguesa além-fronteiras, promovendo a troca de experiências e boas práticas no setor musical, culminando na produção e gravação de um álbum conjunto.
O Papel dos Arda Recorders (Porto)
Bárbara, engenheira de som e responsável pela organização das sessões em Portugal, foi peça-chave na concretização do EUROTOIRE. O estúdio Arda Recorders, no Porto, acolheu os artistas para a gravação do álbum, oferecendo condições técnicas de excelência e um ambiente propício à criatividade e à colaboração internacional.
“Foi um processo que teve tanto de exigente como de gratificante, divertido e positivo. Gravar um álbum é sempre complexo, mas felizmente estivemos rodeados de artistas e um produtor altamente competentes e profissionais, o que facilitou muito todo o processo.”
Bárbara destaca a importância do respeito mútuo e da gestão das diferenças culturais e artísticas no sucesso do projeto. A rotina diária iniciada pelo produtor Lefteris, reunindo todos numa roda para conversar antes das gravações, foi um dos aspetos que mais a marcou, criando um ambiente informal e acolhedor que favoreceu a criatividade.
“O ambiente criativo foi absolutamente incrível, para além do talento, houve um respeito enorme entre todos os participantes pelo trabalho de cada um. […] A dinâmica trazida pelo Lefteris, de nos reunirmos antes das gravações, ajudava a que todos começássemos a gravação mais tranquilos e o dia corresse muito melhor.”
Acredita que projetos colaborativos internacionais como o EUROTOIRE são fundamentais para a promoção da música portuguesa e para a implementação de boas práticas no setor:
“Acredito mesmo que temos o melhor complexo de estúdios em Portugal e que temos uma ligação à indústria e aos nossos artistas privilegiada, pelo que no que toca a condições para que isso aconteça, estamos mais do que preparados.”
Os Artistas Portugueses selecionados: MEMA e Anti-Medo
MEMA é uma artista-produtora de música eletrónica pop com influências tradicionais portuguesas. Iniciou o seu projeto a solo em 2019 e rapidamente se destacou na cena nacional, com o EP “Cidade de Sal” e o álbum “Leve♀Escuro”. Sobre a experiência no EUROTOIRE, MEMA partilha:
“Foi uma montanha russa de emoções, com altos e baixos, mas de forma geral um sentimento muito positivo. Sinto-me muito sortuda pelos colegas (agora amigos) que conheci aqui, houve um clique no grupo e tivemos uma sinergia muito boa.”
O contacto com artistas de diferentes países levou MEMA a sair da sua zona de conforto, a experimentar novas formas de composição e a valorizar a abertura ao diálogo criativo:
“Acho que foi curiosa a forma como os nossos estilos não se evidenciaram, mas juntaram-se e deram outro estilo completamente diferente. Notam-se as influências dos estilos de uns e de outros, mas é algo novo. Fluiu. Acho isso lindíssimo.”
Sobre a gravação nos Arda Recorders, destaca o papel fundamental da Bárbara:
“A Bárbara, engenheira de som residente nos estúdios da Arda, foi o nosso braço direito e foi uma das pessoas fundamentais para que a semana de gravação corresse da melhor forma. […] É tão mas tão importante sentirmo-nos confortáveis em estúdio e um técnico pode fazer a diferença. A Bárbara certamente fez.”
Anti-Medo (Miguel Sampaio)
ANTI_MEDO afirma-se como um projeto a solo autêntico e livre na sua base criativa. É o abrir de um espaço protegido de expressão onde se valoriza a vulnerabilidade e onde, por outro lado, se desvaloriza o preconceito.
Miguel decidiu ingressar numa busca e recolha pessoal sobre o que mais o terá inspirado ao seu redor desde criança para, compasso a compasso, nota a nota, se redescobrir e construir o seu próprio universo musical. Para Anti-Medo, o EUROTOIRE foi uma experiência de crescimento e partilha:
“O programa está muito bem estruturado, repleto de profissionais e colegas incríveis que, sem sombra de dúvida, me tem ajudado a crescer como músico, mas também como produtor, manager, etc.”
O contacto com diferentes culturas reforçou a vontade de criar e experimentar, favorecendo a abertura e a colaboração:
“O contacto com os outros artistas foi, um caso particular com cada um, já que tivemos a oportunidade de trabalhar a pares durante umas horas em cada um dos dias, o contacto foi direto, com diferentes formas de pensar. Todas as músicas ficaram com um carácter especial, porque foram efetivamente momentos únicos e especiais para cada um de nós.”
O EUROTOIRE não só expandiu as competências artísticas de Anti-Medo e MEMA, como também abriu portas a novas oportunidades internacionais. O convite estendeu-se para apresentar o projeto a solo dos artistas no Festival de Fengaros, em Chipre, é um reflexo direto da força do networking e da visibilidade conquistada:
“No caso particular da Louvana Records, para além do concerto com o projeto Eurotoire, disponibilizaram também a oportunidade de apresentar o meu projeto a solo ANTI_MEDO neste próximo Festival de Fengaros de 2025, oportunidade pela qual estou imensamente grato.”
Para Anti-Medo, o maior legado do programa é a inspiração e a esperança de que a amizade, a arte e a partilha podem ultrapassar fronteiras:
“A verdadeira mensagem que levo daqui é uma mensagem de inspiração, esperança e fé. De que há efetivamente uma vontade e uma visão comum neste meio para a criação de valor em torno da amizade, arte e partilha. Sobretudo que é possível fazer amigos em qualquer lugar do mundo.”
Tanto MEMA como Anti-Medo reconhecem o impacto do EUROTOIRE na sua evolução artística e profissional, destacando a importância do networking, da aprendizagem e da abertura de portas para novas oportunidades internacionais. Projetos como este tornam-se verdadeiras plataformas para a internacionalização, para a partilha de conhecimento e para a construção de pontes entre culturas. Para os entrevistados e todos os envolvidos, fica a certeza de que a música portuguesa tem cada vez mais mundo — e que o futuro se constrói juntos.
O álbum do projeto EUROTOIRE já está disponível em todas as plataformas digitais, marcando uma etapa importante na divulgação do trabalho colaborativo entre os artistas de Portugal, França e Chipre. Esta semana, o grupo esteve em Lyon para uma atuação ao vivo, reforçando a presença internacional do coletivo. Em breve, os músicos regressam ao Porto para gravar um live act nos estúdios Arda Recorders, documentando a sinergia destes meses de trabalho. De 31 de julho a 2 de agosto, o grupo reencontra-se novamente para atuar no festival Fengaros, no Chipre, evento que promete consolidar ainda mais as conexões criadas durante o EUROTOIRE e expandir a visibilidade da música portuguesa no cenário europeu.
Mais projetos assim é o que desejamos!








