Joan As Police Woman levou ao Museu do Oriente uma noite de pura intimidade e emoção, apresentando o novo álbum Lemons, Limes and Orchids.
No dia 29 de abril, o Auditório do Museu do Oriente recebeu o regresso de Joan As Police Woman a Portugal, marcando a primeira de quatro datas em território nacional. Joan Wasser, a compositora e intérprete nova-iorquina por trás do projeto, deu início à etapa portuguesa da sua digressão europeia, que terminará em Portugal, para apresentar Lemons, Limes and Orchids, o seu novo disco lançado em 2024.
Sozinha em palco e sem grandes aparatos, entre o piano e a guitarra, Joan provou que não são precisos adereços nem coreografias para ser verdadeiramente grande. A sua voz — quente, intensa e profundamente expressiva — preencheu por completo uma sala já bastante composta.
Marcado para um horário pouco convencional — às 19h30 —, o concerto apanhou muitos espectadores ainda a caminho, resultando numa chegada tardia de várias pessoas. Joan, atenta ao movimento na sala, interrompeu com um bem-humorado “Come in, sit down”, quebrando o gelo e, muito provavelmente, também o embaraço dos atrasados, criando de imediato uma ligação de cumplicidade com o público.
A digressão de Lemons, Limes and Orchids não trouxe apenas os temas mais recentes, mas também uma generosa retrospetiva dos momentos mais marcantes da sua carreira. Foi uma viagem emocional — e profundamente emocionante — que percorreu mais de duas décadas de música, desde a estreia com Real Life (2006), um dos discos a que volto sempre quando procuro conforto (ou um abraço), até ao novo álbum, com paragens emblemáticas em To Survive, The Deep Field, e outros.
Ao longo do espetáculo, algumas das canções surgiram reinventadas, com arranjos alternativos que lhes conferiram um novo pigmento — baladas soul em registo intimista ou, como a própria Joan descreveu, uma forma de “quiet live music”.
O tom da noite foi pautado por um intimismo quase sagrado — não se ouviam vozes a cantar, e os aplausos surgiam apenas no final de cada canção. Apesar da simpatia e graça de Joan, a solenidade manteve-se intacta durante quase todo o concerto. Só foi verdadeiramente quebrada perto do final, quando a artista nos convidou a cantar “I Was Everyone”, do álbum The Deep Field (2011). “Be heard, we are the champions, we are the champions, oh yeah” rasgou, então, o silêncio da plateia. Depois, já não foi preciso convite — o coro surgiu espontaneamente em “The Magic”, num final cúmplice. O encore trouxe “Real Life” — quatro minutos e meio de absoluta perfeição. Fechei os olhos e voltei ao chão da minha primeira casa, a cantar em falsete: “’cause I’m real life.”
Joan As Police Woman é daquelas artistas que vale sempre a pena ver ao vivo: intensa, mas humilde; artista, mas genuína; com graça, mas nunca inconveniente. As suas canções lembram-nos, a cada acorde, porque continuamos a voltar a elas — e a ela.
Alinhamento:
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Honor Wishes
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Warning Bell
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Full-Time Heist
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Remember the Voice
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To Be Loved
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Feed the Light
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Tell Me
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Started Off Free
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Kiss the Specifics
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Safe to Say
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Lemons, Limes & Orchids
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Oh Joan
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Guiltiness
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Christobell
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I Was Everyone
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The Magic
Encore:
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Real Life
Fotografia: Ana Ribeiro (Grifus) / Ruído Sonoro






