Os brasileiros Armagedom e os nortenhos Dokuga abriram as portas do Vortex 2025 e durante duas horas soltaram doses massivas de energia até ao ponto de ebulição.
E ao 18º dia do ano, as portas do Vortex reabriram finalmente para, passado pouco tempo, voltarem a ostentar o sinal de casa cheia … esgotada, ou sem medos de anátemas anacrónicos “sold out”! Mais do que representar o que é vulgar apelidar de “espírito punk”, Armagedom, Dokuga, o próprio Vortex e aquelas mais de cem almas que o enchem, são símbolos da “ação punk” e de um movimento que não necessita de hypes ou parangonas para continuar a infiltrar-se nos subsolos por este mundo fora.
Oriundos do Porto e com uma carreira com quase 20 anos, os Dokuga vieram-nos mostrar o seu mais recente longa duração, Antes do Fim – lançado no final de 2024. Punk-Rock crú ao balanço d-beat, pejado de garra e raiva … mesmo à medida de todos os demónios que precisamos de exorcizar! Uma valente sessão de tareia orquestrada pelo coeso quarteto nortenho, encristada (porque isto no punk não há cá coroas) pela presença vigorosa do vocalista Kisto. Ainda estamos a meio, e o inferno já ferve em cachão!
Condições, portanto, perfeitas para acolher os Armagedom um dos nomes de referência do underground paulistano. Na bagagem vem o clássico Silencio Fúnebre (de 1986), que envelheceu muito bem, não em qualquer barrica de carvalho francês, mas em vinis e, sobretudo, parece-me, em cassetes de crómio muito gasto … a julgar pela forma extasiada como o público entoa as letras e pede a próxima. Pede ou exige, que não há cá descanso para ninguém enquanto o relógio permitir. O termómetro, esse, não parou de crescer até ao momento de exaustão final.













