Bia Maria laçou este mês o seu primeiro LP, Qualquer Um Pode Cantar. Depois do primeiro concerto de apresentação do disco em Ourém, cidade natal da cantora, seguiu-se o Musicbox em Lisboa, onde pudemos confirmar que sim, qualquer um pode cantar.
É sabido que grande parte dos eventos musicais acontecem em Lisboa ou no Porto, esta bipartição geográfica há muito que, felizmente, não existe nos artistas nacionais. Bia Maria, uma cantautora (já não tão) emergente no panorama da música portuguesa, é da cidade de Ourém (distrito de Santarém, para os mais distraídos), e a sua vontade de descentralizar fez com que o primeiro concerto de apresentação decorresse exatamente na sua cidade Natal. Mas, Bia Maria, também centralizou e na passada semana assistimos a segundo concerto de apresentação em Lisboa, no Musicbox.
Bia Maria tem um jeito muito curioso em palco. Se durante as canções, a artista, tem uma postura quase solene, na comunicação com o público chega a parecer interpretar uma rábula, contando histórias que nos divertem, mas sempre com a tentativa de não se demorar nelas, afinal, o concerto tinha 1:15 de duração e 55 minutos de canções. Ficam para a memória a história da Carolina, a menina empoderada, e a do João, o menino que não gostava de brócolos.
As canções do novo disco foram executadas na integra, mas não só. Jasmim foi um dos convidados da noite, cantando e tocando a meias com Bia Maria a bonita canção “Campo/Cidade”. Ana Mariano, também se juntou à artista oureense para o seu próprio tema “Nem Sempre o Amor”.
Houve também tempo para músicas mais antigas, como por exemplo, “Cobertor”, uma das minhas canções favoritas (não apenas no top “canções favoritas da música portuguesa dos últimos anos”), do EP do Roberto, de 2022, como pode haver tanta beleza em alguns acordes, vozes e uma letra sofrida. Voltando às novas canções, na sondagem levada a cabo por Bia Maria nem todos tinham ouvido o seu recente disco, mas a verdade é que todos souberam acompanhar, fazendo coros e até vozes. “Marcha da Paridade” foi a canção com mais receptividade do público, fazem falta estes temas de empoderamento feminino e autodeterminação.
Assim como eu, Bia Maria não gosta de encores por isso as suas canções seguiram-se até aquela que dá nome ao disco “Qualquer Um Pode Cantar” e o Musibox, lotado, cantou. Como diz Tiago Pereira (Música Portuguesa a Gostar dela Própria) “…ninguém canta mal, toda a gente tem direito a cantar para si própria.”, por isso cantámos com todas as nossas forças.
Já Bia Maria canta bem, e também faz das canções mais bonitas do panorama musical português, por isso vamos esperar que ela centralize e descentralize, para que as suas canções cheguem a todo o país, e talvez mais longe.
Fotografias: Marcela Janeiro Pereira









