Iena e Räiä encheram o Vortex até às costuras. A velha escola do hardcore não quebra, nem esmorece … mesmo depois de tanto mosh!
Não sei se a memória me está a trair, mas acho que foi no concerto de Hetta e Ideal Victim, há algumas semanas atrás, que vi, pela primeira vez, um papel na porta do Vortex com a informação “Sold out”! Não, não irei cair nessa esparrela de fazer piadas à volta desse termo e da falsa contradição com o espírito über punk que se destila naquela cave. Prefiro sim, aludir ao facto de que no passado sábado, a dita sinalética ter voltado a aparecer.
Falo nisto porque acho extremamente interessante, e estimulante, a percepção de que ambas as multidões teriam poucas caras em comum. É que, se para mim, é certo que o Vortex se vem progressivamente a tornar num dos lugares de referência, e de celebração, da cultura underground nacional, por outro lado esta diversidade de públicos, concomitante à riqueza estética da sua programação, que vai beber tanto à velha escola, como à nova … como à não escola, parece vir mostrar que o inconformismo está aí para lavar e durar! Felizmente!

Na sua primeira digressão a Portugal, os florentinos Iena demonstraram o porquê de agregarem uma considerável legião de fãs no nosso país! Hinos harcore debitados exemplarmente e carregados de entrega e devoção pela luta das classes trabalhadoras. Refrões poderosíssimos entoados em coro pela sala a transpirar e muito … muito mosh! O abismo pode aprofundar-se, e a morte pode até chamar, mas non abbiamo paura!

Verdade seja dito, quando o trio transalpino subiu ao palco a sala já estava bem quentinha à custa de outro trio, aqui bem mais de perto, mas sempre longe da banalidade, os Räiä! A tocar praticamente em casa, a banda pôs-se à vontade, lançou piadas mais ou menos privadas, arriscou incursões políticas, mas sobretudo, não descansou enquanto não viu toda a gente a mexer-se!
Fotografias: Rui Gato














