Dia marcado por grandes festas. Para os nostálgicos, Smashing Pumpkins. Para os outros, os que vivem a música que se faz agora, os Parcels e os Arcade Fire.
Dois dos três dias esgotados, o que sobra a esgotar. É quase sempre assim. Ir ao NOS Alive parece ser cada vez mais uma (boa) obrigação. Por volta de 160 mil pessoas esperadas em todos dias do evento. É obra. E nós a caminho. Texto e fotos, como é costume. Vamos lá, então!

É bom começar o NOS Alive a dançar. No Palco Heineken atuavam os sempre fiáveis Unknown Mortal Orchestra. Muitas e conhecidas malhas que levam ritmo às pernas e ao resto do corpo. Sem quase abrirem a boca (a não ser para cantar, claro) a banda que muitos queriam ouvir, mesmo que a um horário meio estranho, fizeram um bom concerto, em jeito serviços mínimos (no banter whatsoever, as said before), mas cool e bem dançante. Deu para suar as gorduras a mais deste verão outonal. “From the Sun”, “Swim and Sleep (Like a Shark)”, “Thought Ballune, malhas do passado mas que sabem sempre bem ouvir em qualquer presente. Yey for the UMO!
No Coreto, atuava o Tipo, que na verdade não é um tipo qualquer. Confessou-nos que quando foi convidado para esta edição do NOS Alive, ficou contente por ser no dia dos UMO, sendo que assim poderia assistir ao concerto. Só que, azar dos azares, foram ao mesmo tempo, os concertos. Ou quase. Ora isso não se faz ao Tipo dos You Can’t Win Charlie Brown. Francamente! Não lhes tomámos as dores, mas é chato, coisa que o que dele ouvimos não foi. O registo é bem diferente da banda a que pertence, havendo alguma indefinição de estilo no seu repertório, o que, por vezes, é de louvar. Fica o registo para lhe darmos mais atenção.

Por volta das 20 horas, fomos ouvir Benjamin Clementine. Há muito que o havíamos perdido do radar, longe que vão os tempos do seu extraordinário aparecimento. Divido entre guitarra e piano (mas muito mais teclas do que cordas, obviamente), Benjamin continua a cantar de forma poderosa e a ter uma presença de respeito. É, fisicamente, um quase Colosso de Rodes. A cabeleira afro à Joan Armatrading dos tempos iniciais ainda o torna maior. Isso combinará com o seu estatuto. Da cerca de meia hora a que assistimos ao que fez em palco, as impressões tidas em 2015 com o soberbo At Least For Now ainda estão intactas. Há nele um lado obscuro, quase maldito, vindo das vidas anterior à fama que o levaram a dizer, ontem mesmo, que veio do nada e não se assusta se para lá voltar. O homem criado em Londres e que divagou por Paris é músico e poeta, e isso nota-se. Continuamos a gostar do seu je ne sais quoi algo maldito, como se fosse o Verlaine dos palcos.

Ora vamos lá esmagar abóboras! Para os nostálgicos, foi como sopa no mel. Para os outros, os que passaram um pouco ao lado dos anos Mellon Collie, foi trabalho. O concerto, bem vistas as coisas, foi honesto, de boa entrega em palco, por vezes bem rasgadinho, outras nem tanto. As camadas densas das guitarras imperaram e puseram muitos em delírio. Até uma cover dos U2 houve (“Zoo Station”), para agrado de outros tantos. De resto, canções como “1979”, “Bullet With Butterfly Wings”, “Jellybelly”, “Tonight Tonight” e “Zero” talvez tenho sido as que mais espevitaram os fãs dos primeiros tempos. Claro que do álbum das gémeas siamesas também tocaram algumas, como “Disarm”, por exemplo. Relatos dos que ainda (e sempre) vibram com os Smashing Pumpkins foram bons. Que estão em forma e que deram um bom concerto. Antes assim.

E como nem sempre se dança ao som de Billy Corgan e companhia, fomos dançar com os Parcels, banda da moda e com groove inatacável. Impossível entrar no recinto do Palco Heineken (escriba sofre), mas no problem, a festa fez-se cá fora, lateralmente. E foi rija. Uma imensa danceteria ao som do new disco sound dos Parcels! A moda beta que aderiu a estes rapazes tem propósito e faz sentido. O festim é imenso e a juventude faz com que toquem, por vezes, deitados no chão do palco, como se estivessem (e estarão, de facto) a viver os melhores anos das suas vidas. Vale muito a pena a experiência, e é melhor rasgarmos-lhes elogios agora, não vá serem deixados ao abandono mais tarde. Com isto das modas, nunca se sabe. Ontem foi mesmo bom. Braços no ar, telefones a filmar qualquer segundo do concerto, gente feliz com suor. Ao menos, felizes sem lágrimas, if you know what I mean. As canções são bastante idênticas (algumas, claro está) o que deu ao concerto um lado non stop dancing party bem notório. O tempo foi passando, sem que tivéssemos dado conta. Empurrões e encontrões foram mais que muitos. Muita agitação, boa aula de aeróbica. Australia is the new thing! E não é de agora.

E o que esperar dos canadianos Arcade Fire? O que já sabemos há muito. Fregueses habituais aqui do retângulo, são outros que sabem bem armar a tenda e fazer a festa. Banda de multidões, de estádios, banda típica para atuar no NOS Alive. Começaram quando os ponteiros do relógio já marcavam o dia de hoje. Curioso momento inicial, que vimos de longe, embora de perto, ainda estávamos na Press, pela tv, espécie de cerimonial religioso (sem o ser de facto, como é óbvio), um acender de chama cujo significado nos escapou. Depois, foi o costume. Quem vê um concerto de Arcade Fire sabe bem o que vai encontrar. Muitas e boas malhas conhecidas de todos, por isso todos iam pulando, largando suor e cerveja em direção aos vizinhos do lado. Os singles do inicial Funeral foram todos tocados, os vários “Neighborhood” logo de início, assim como “Rebellian (Lies)”. Parecia um motim a acontecer. Som alto, como convém, e ritmo suficiente para animar os esqueletos da Capela dos Ossos, se estivéssemos por esses locais. “Reflektor”, “No Cars Go”, “The Suburbs”, “Everything Now”, uma ementa completa de canções calóricas bem antigas, intercaladas com outras bem mais recentes. “Chegar em Lisboa é como chegar em casa”, disse Win Butler em bom sotaque luso. Tinha razão. Os Arcade Fire já são nossos há muito.
Agora é virar a página para o segundo dia. Até já!
Fotografias: Inês Silva, excepto onde mencionado.












































































