O Coliseu de Lisboa recebeu, na passada sexta-feira, dia 28 de Junho, a celebração dos 20 anos do disco mais cinematográfico, de todos os discos cinematográficos de Rodrigo Leão, o Altamont foi e fez a festa.
Cinema é um dos mais importantes discos da carreira de Rodrigo Leão, e da música nacional, eu que o diga que o ouvi até riscar o CD, com algumas das mais distintas colaborações internacionais na música nacional, como Ryuichi Sakamoto, Beth Gibbons, e completa este ano 20 primaveras. O seu criativo revisitou o álbum em dois concertos, nos Coliseus do Porto e de Lisboa, foram mais de 20 canções em quase duas horas de concerto, com os temas de Cinema e alguns êxitos de outros discos, com tempo ainda para alguns temas inéditos.
Das, muitas, coisas bonitas nos concertos de Rodrigo Leão é que não estamos a ver um compositor, e executor, e os músicos que o acompanham, estamos sim presentes numa espécie de organismo vivo composto por: o piano de Leão (a cabeça), o acordeão de Celina da Piedade, o violino de Viviana Tupikova, a viola d’arco de Bruno Silva, o violoncelo de Carlos Tony Gomes, o baixo, o teclado e sintetizador de João Eleutério e a bateria de Frederico Garcias. É impossível não ficar assoberbada por esta centopeia musical.
O desfile de canções começou com “A Cidade Queimada”, apenas ao piano, à simplicidade do tema contrapôs-se a imponência de “Cinema”, com o violino de Tupikova, que mais parecia ser o som de uma alvorada, se o nascer do sol tivesse um som, como que a anunciar o despertar dos momentos mágicos que se seguiriam.
Nessa altura o público, bastante heterogéneo, que enchia o coliseu já estava conquistado: as pessoas embalavam-se ao som da música, batiam o pé e até dançavam sem sair do lugar, na fila ao lado as mãos irrequietas de uma criança que marcavam o ritmo, um cenário quase tão interessante de observar como o que se passava em palco.
Os convidados, amigos de longa data sucederam-se, Ana Vieira e a sua voz imaculada, em qualquer que fosse a canção ou a intérprete original, Sónia Tavares e a sua voz e presença portentosa, e Pedro Oliveira, dos Sétima Legião, que acompanhou à guitarra. A todos Rodrigo Leão não deixou sair do palco sem um abraço ou um beijo.
A noite foi sendo salpicada por histórias sobre o disco, e não só, em todas a emoção de Rodrigo Leão era visível. Confidenciou-nos que o disco foi criado num ambiente onde sempre estiveram os seus dois filhos, António e Rosa, de 3 e 1 ano na altura, como Sónia Tavares, para além dos arranjos, letras, produção, ainda conseguiu ser “ama” de Rosa; os 25 anos de namoro do músico e sua actual esposa; e a revelação que conseguiu arrancar umas gargalhadas à plateia, o músico cumprimentou o seu pai, presente no Coliseu, que o influenciou a tirar o curso de direito, é motivo para dizer “perdeu-se um advogado, mas ganhou-se um músico”.
Numa noite em que experimentámos momentos arrebatadores, como o tema final – “Pasión”, interpretado por Ana Vieira e Celina da Piedade – em que por instantes tive uma vontade sobre-humana de me levantar e improvisar um tango, mesmo sem par, e outros momentos encantadores, como se o Coliseu fosse uma caixa de música daquelas com uma bailarina a rodopiar, desta vez já não quis rodopiar, mas para sempre ficar naquele concerto onde muitas vezes me esqueci que estava lá para fazer a reportagem e fiquei dominada pela música.
Alinhamento
- A Cidade queimada
- Cinema
- Uma história simples
- A Estrada
- A Comédia de Deus
- Rosa
- Jeux d’Amour
- Solitude
- Alma Mater
- Quarto 501
- L’Inspecteur
- Deep Blue
- Happiness
- Tardes de Bolonha
- O Café dos imigrantes
- Sleepless Heart
- Lonely Carousel
- No sè nada
- Canciones negras
- La Fête
Encore
- As Ilhas dos Açores
- A Casa
- Pasión
Fotografias: Sérgio Oliveira










