A noite em que os 1000mods provaram a sua mestria na composição de riffs contagiantes e descobrirmos o incrível punk-garagem dos Frenzee!
Nos tempos modernos, quinze dias equivale a década e meia, ou quase. A velocidade com que a vida se desenrola e a quantidade de informação e distrações a que somos sujeitos todos os dias, fazem com que nem sempre prestemos a devida importância a cada momento que vivemos. No entanto, há alguns, que por serem qualidade superior, ficam gravados sem que peçam licença para isso. Felizmente.
Um desses momentos, aconteceu há quase década e meia, no passado dia 18 de março e teve lugar na sala do Mouco, no Porto. Os anfitriões foram os gregos 1000mods e trouxeram consigo uns amigos desconhecidos do público português, os conterrâneos Frenzee. E, foram precisamente os Frenzee que deram início das atividades sonoras dessa noite, um power-trio que, apesar de estarem sediados na Grécia, na realidade são naturais de Melbourne, Austrália.
Não conhecia este projeto e, provavelmente, grande parte do público também não, mas acredito que muitos dos que ali estavam irão seguir, bem de perto, estes três irmãos, a partir daquele enorme concerto. Não vou andar com rodeios: foi simplesmente incrível. Aquele som de guitarra carregadinho de fuzz até mais não, a bateria diabólica e com as pilhas sempre a cem por cento, a energia e voz hardcore de Apollonia, a vocalista da banda, bem, o que se pode pedir mais? O impacto que teve em mim, foi o de andar dias a ouvir os dois álbuns que os Frenzee já editaram: o álbum homónimo de estreia lançado em 2022 e What’s Wrong With Me, editado em outubro de 2024, dois belos exemplares do punk-hardcore-garagem deste poderoso trio. Foi uma chapada sónica que espero volta a levar, muito em breve!
Tempo de recuperar o folgo, para receber nas melhores condições físicas os responsáveis por esgotarem o Mouco (e, no dia anterior, o RCA Club em Lisboa). Assim que “War Pigs” dos lendários Black Sabbath começa a soar nas colunas do Mouco o frenesim instala-se na sala e é iminente a entrada em cena dos 1000mods, que se apresentaram em formato quarteto. Já passaram algumas vezes por Portugal, sendo a sua passagem mais recente em agosto do ano passado, onde marcaram presença no Sonic Blast. Entretanto, em novembro editaram o quinto álbum da banda, Cheat Death, sendo esse o principal pretexto para a digressão europeia que contou com duas datas em Portugal.
Tinha-os visto no Sonic Blast, em contexto de festival e num palco ao ar livre. Desta vez, as coisas seriam diferentes, seria um concerto em nome próprio, numa sala, com público fã das suas músicas. Para mim, fez muito mais sentido este contexto, parece-me que aqueles riffs, embora potentes, sentem-se mais confortáveis entre quatro paredes, talvez por poderem estar juntinhos ao público onde são, ora abraçados, ora atirados para os braços erguidos para percorrerem a sala através do crowdsurfing. Durante uma hora e quarenta, houve tempo para percorrer os cinco álbuns da banda, entre os temas do novo álbum, ainda em crescimento dentro dos fãs e os mais icónicos, como “Road To Burn”, “Law” e “Vidage”, tema que encerrou com chave de ouro este momento memorável! Os 1000mods vieram ao Porto para deixar bem claro que são mestres dos riffs sónicos, repetidos até à exaustão e incrivelmente contagiantes. Uma delícia.





























