Celebrar os Morphine é preciso e continua a fazer sentido!
Não é fácil, mas vale bem a pena!
Ando a evitar ir a concertos das segundas ou terceiras encarnações das bandas da minha adolescência/juventude! Não há uma razão muito consciente para isso, … acho que é cobardia! Cobardia de me confrontar com o passar do tempo e, nalguns casos, de encarar a perda! Não deixa, então, de ser irónico que tenha quebrado a “regra” ontem à noite! Já são 25 anos sem Mark Sandman e quase 3 sem Billy Conway. Dos três magos, resta Dana Colley para defender o legado e continuar a espalhar o feitiço dos Morphine, uma banda mítica que dispensou a guitarra – e duas cordas de baixo, já agora – sem perder uma gota da vitalidade e da urgência do Rock’n’Roll.
Como seria de esperar, o alinhamento do concerto dos Vapors of Morphine é maioritariamente composto por temas dos Morphine. Dada a qualidade do catálogo da banda, escolher “Other Side”, “Lucky day” ou “Honey White” em detrimento de outras pérolas que temos na cabeça e/ou que o público vai pedindo, será sempre menos difícil do que o exercício de malabarismo das nossas emoções que eles sabem que estão a fazer – o prazer de sentir aqueles ritmos, a nostalgia agridoce das letras, a maravilha do sax de Dana, a falta do vozeirão de Sandman!
É bom, mas dói! Eu acho que eles sabem disso, e que será também por essa razão que vão intercalando estas malhas mágicas com os os originais dos Vapors. Descansamos um pouco a alma e exploramos outros caminhos sónicos – aprofundamos mais o Blues ou o Jazz, aproximamo-nos a espaços do desert rock – e que bela cover de “Lasidan” (Ali Farka Touré)! Viajamos mais leves nesses momentos, assim como nos vários apontamentos de quase “stand up” que os músicos vão atacando a tempos!
Se calhar, não era preciso ter tanto medo!
Fotografias e Texto por Rui Gato















