O Centro Cultural do Cartaxo acolheu os Travo, os Mike Vhiles e todos aqueles que decidiram enfrentar a intempérie para uma noite quente de rock psicadélico. A real treat!
A noite parecia muito pouco convidativa. Promessas de trovoada e a A1 congestionada mandam mais sentar no sofá do que, propriamente, pegar no carro e rumar ao Cartaxo. Ainda bem que os instintos rockeiros se sobrepuseram à cautela e à inércia… afinal de contas, os relâmpagos acabaram por me iluminar na Estrada Nacional 3 e fazer chegar seco e salvo ao porto seguro e quente do Centro Cultural do Cartaxo.
Os Mike Vhiles vêm de Coimbra, mas trocaram o fado, fitas e batinas pelo excitante triângulo das Bermudas construído à volta da distorção, da psicadélia e do absurdo!
Desconheço se Miguel Vale (Guitarra,Voz), João Vilas Boas (Bateria) e André Figueiredo (Baixo) serão Doutores ou não – para aqui pouco interessa, mesmo – mas a sua música demonstra uma extensa pesquisa sónica, indo beber às mais diversas fontes do underground. As melhores influências estão todas lá, e são debitadas de forma muito própria, sentida e frenética. Aliás, intensidade foi coisa que não faltou na sua atuação, transpirando para um público que dançou e gritou por mais. Mystic Dream Sequence (2023) chegou tarde aos meus ouvidos, mas já por aqui paira em alta rotação!
A noite prosseguiu com uma das bandas que gostei mais de ver no ano passado. De facto, os Travo foram, para mim, a revelação da edição do BlackBass Fest de 2023. Gostei tanto que comprei o então fresquíssimo Astromorph God – que entrou diretamente para o meu top do ano. Tal como os Mike Vhiles, a abordagem sónica dos Travo resulta de uma síntese bem personalizada de uma série de influências, de onde se destacam (no caso dos Trevo), o psicadelismo pesado, o space rock, algumas notas de rock setentista e, parece-me, uns pozinhos maravilha de prog. A atuação do quarteto de Braga foi mais uma vez avassaladora. É incrível o que a banda de David Ferreira (baixo), Gonçalo Carneiro (guitarra e sintetizadores), Gonçalo Ferreira (voz e guitarra) and Nuno Gonçalves (bateria) evolui em palco – uma viagem alucinante e hipnótica em que voamos sem nos perdermos no espaço… aquele fantástico pulsar do baixo nunca nos deixaria!






























