Thrownness e Skyllar foram até ao Vortex acordar a montanha, escalar a temperatura e rebentar o vulcão para depois surfarmos a sua lava!
Mesmo tendo em conta que os algoritmos vão moldando a nossa percepção da realidade (não se preocupem, esta conversa acaba já aqui), não me parece que haja muitas dúvidas que o movimento underground nacional anda numa fase particularmente vibrante. Confesso que perdi as contas à fantástica oferta de concertos no passado final de semana. Andava atrás dos Thrownness há já algum tempo – e algo me diz que não era o único – e o Vortex foi novamente o meu/nosso buraco do Coelho.
Como se costuma dizer nestas ocasiões, coube aos Skyllar aquecer as hostes e passados meros minutos já fervíamos todos! Conduzidos pela potente dupla de guitarras de Eduardo Gonçalves e Dave Marques, o quarteto da linha de Sintra parte da vertente mais melódica do Death Metal, para explorar outras sonoridades um pouco mais extremas. Esses (bons) desvios devem-se não só às vocalizações ásperas de Dave, como à dinâmica que o André Martins carrega nas baquetas e, talvez sobretudo, ao baixo de Nuno Cabrita que vagueia freneticamente entre o groove, a distorção e a agressividade sónica da boa! No ativo desde 2010, os Skyllar trazem na bagagem dois EP com nomes crípticos (Prologue de 2013 e Epilogue de 2024), que espero que só queiram significar que o primeiro tomo completo esteja aí à espreita para o podermos devorar.
Diz a lenda que terão sido os Melvins (a reboque dos Black Sabbath, pois então) que terão percebido que ao baixar as rotações, o peso aumenta, fazendo arrastar a força lugubremente pelo chão e pelas paredes da sala, levando tudo à frente. Os Thrownness agarram essa lava típica do Sludge e, como se ainda fosse preciso, acrescentam-lhe a intensidade e a precisão mortífera da new school do post quase tudo.
Esta não é, definitivamente, música para mentes e corações fracos! O que é tudo menos dizer que será a banda sonora de um qualquer filme americano para jocks musculados! Falo de uma força cheia de vulnerabilidades, e com vontade de as enfrentar, falo de uma força que enfrenta a escuridão a medo, sem fanfarronices e de coração aberto! As composições dos Thrownness são longas e tendencialmente lentas (e portanto, super pesadas … lá está!) acumulando a tensão da mencionada escuridão, que é libertada em doses mínimas mas brutais, como shots de adrenalina condensada e não filtrada. Na bateria, está o mesmo André Martins de há minutos … mas, ao mesmo tempo, não é o mesmo, não pode ser! De onde antes vinha um motor dinâmico, agora vem o toque meticulosamente pensado, espaçado e cheio de oxigénio. Uma falsa calma a espaços interrompido por vorazes ataques de tempestade! Nesta orquestra do apocalipse, as vozes de Kevin (mais) e de Micas (menos) vão marcando o passo da dor e ditando às dilacerantes guitarras – também de Kevin e de Tiago – os andamentos e os espaços que devem ocupar! Ao baixo é novamente atribuído o papel de doido, mas Micas doma-o com a arte dos encantadores de serpentes da Jemaa el-Fna! Acabaram-me os adjetivos, mas também acho que já perceberam!
Fotografias: Rui Gato





























