Variedade e animação garantidas no Titanic, em trail feito da banda, para bandas.
De 15 em 15 dias, a banda Gravity Trail organiza um concurso que, nas palavras dos próprios, é “parte Open Mic e parte Showcase”. Destinado a ser um palco 100% inclusivo, todos os estilos e níveis de experiência são bem vindos – a única regra é tocar originais! O evento tem um formato flexível, que se adapta ao número de bandas/artistas que se inscrevem previamente ou que aparecem no próprio dia para tocar. Para melómanos curiosos há garantia de novidade, espaço para imprevistos e espírito de grupo.
As noites “The Trail” são organizadas, dinamizadas e mimadas pelos Gravity Trail, um power trio de rock progressivo com um pujante EP (Drunk Driver, 2021) no currículo e doses reforçadas de groove e improvisação. Luís Macara, João Romão e Jorge Carvalho dominam os seus instrumentos (respetivamente baixo, bateria e voz) mas também cobram os bilhetes, espalham flyers pelas redondezas, apoiam as bandas a instalar-se, lançam os foguetes e juntam-se à comunidade Trail a apanhar as canas!
São eles a abrir o palco. Apoiado nas malhas improvisadas pela dupla groovica Luís e João, e pela guitarra convidada do Rómulo, Jorge pega no microfone e transforma-se num verdadeiro Mestre de Cerimónias. Aquece a sala, a banda, as outras bandas e toda a vizinhança. Quem não ficar com pica depois deles tocarem, não merece subir ao palco!
Os Bloom, enquanto vencedores da sessão anterior do Trail, são a primeira banda (em concurso) a subir ao palco. Talvez por sentirem o peso da responsabilidade, ou simplesmente pela sua juventude, notam-se os nervos no arranque da atuação do quarteto. A proposta é ambiciosa – indie rock cheio de dinâmicas pára-arranca, calma quase segredada / explosão sónica, jogos entre vozes masculina e feminina – e ainda bem, porque essa ambição irá levá-los a ensaiar, ensaiar, ensaiar e tocar muito.
Segue-se uma viragem radical no registo musical. Burny Hex faz-se acompanhar de Akari para se lançarem em “Saudade” – um single em colaboração que está aí à espreita. Hip-Hop moderno, com uns cheirinhos de hyperpop e muito romance.
Tito agarrou o clima romântico e subiu-lhe uns bons 20 graus à boleia do seu vozeirão tenor e do sorriso mais sedutor da noite. O carioca trazia a mão direita “quebrada”, mas insistiu em fazer acompanhar a sua versão muito atual de MPB com um violão e um trompete improvisado.
Os Grafite 6B trazem-nos um rascunho (desculpem-nos a metáfora, a sério!) muito interessante na mistura indie, rock, blues … e sobretudo na bela voz de Patrícia. Há linhas a corrigir, pormenores a apurar… mal seria se não houvesse… mas indícios de alguma coisa a crescer!
Nova guinada estilística. Agora é Alvin no palco que nos traz um pungente tema de superação pessoal num registo Hip Hop denso. O flow é tão orgânico quanto a entrega emocionada de Alvin.
Por fim, calhou a vez a Pedro Garzón. A sua timidez é rudemente interrompida pelo som que saca da sua guitarra elétrica branca que ilumina agora a sala. Blues Rock vintage – com direito a assobio e tudo – rejuvenescido umas boas décadas. Muito bonito.
No final, foi Tito quem conquistou os ouvidos dos presentes e ele, com toda a certeza, estará presente na próxima sessão do The Trail no próximo 10 de julho. Apareçam: há vídeos e mais informação no instagram dos Gravity Trail.
Fotografias: Rui Gato



















