Os deuses nórdicos do rock desceram até à cidade invicta para nos abençoarem com uma bela e nostálgica noite de rock à moda antiga!
A digressão Cowpunks And Glampires Tour, que começou em 2025 e se prolongará em 2026, junta dois nomes icónicos do rock nórdico, os dinamarqueses D-A-D e os finlandeses The 69 Eyes! Apesar de estilos diferentes, a veia roqueira é comum a ambos e decidiram juntar forças para uma digressão em regime co-headlining pela Europa fora.
The 69 Eyes apenas visitaram o nosso país uma vez, no longínquo ano de 2001, onde atuaram no Festival Carviçais Rock ao lado dos lendários Napalm Death, data que Jyrki 69 recordou com nostalgia. Por esse fato, o icónico vocalista referiu, logo no início do concerto, que não sabia o que esperar desta noite, por não conhecer assim tão bem o público português, mas garantiu que poderiam contar com o melhor da banda. E assim foi. Para além da prestação irrepreensível de toda a banda, a escolha dos temas mais emblemáticos do seu reportório levou o público português mostrar a Jyrki que existem muitos vampiros portugueses sedentos de gothic-glam finlandês. O vocalista mostrou-se surpreendido por tantos, e tão bons, vampiros terem marcado presença no Hard Club nessa noite. A viagem foi nostálgica, recordando alguns dos temas mais emblemáticos da banda, como “Devils”, “Don´t Turn Your Back”, Gothic Girl” ou “Brandon Lee”, encerrando a atuação com chave de ouro quando, já no encore, chamaram ao palco Fernando Ribeiro, líder dos Moonspell, para interpretar a inconfundível “Lost Boys”, terminando o concerto em verdadeira apoteose.
Ao contrário dos finlandeses, os D-A-D são frequentadores assíduos dos palcos portugueses, sendo até uma das bandas estrangeiras que mais atuaram por terras lusas. E, diga-se de passagem, são sempre muito bem-vindos e sempre muito bem recebidos! A celebrarem quatro décadas de carreira, os D-A-D continuam a ser uma das bandas rock mais interessantes da Dinamarca. O tempo passa, mas a energia, boa disposição e carisma aumentam de densidade, tornando cada concerto uma verdadeira celebração do rock na sua essência mais clássica. A relação entre público e banda é quase familiar, com Jesper Binzer, o carismático frontman, a ser o principal responsável por esta empatia entre as duas partes. Ainda assim, é humanamente impossível ignorar a presença de Stig Pederson que, para além da sua irreverente e enérgica presença em palco, proporciona um verdadeiro desfile dos seus modelos de assinatura própria de baixos de duas cordas, com estéticas singulares, onde se destacam, por exemplo, o modelo “foguetão” e o “palito numa azeitona”. Foi uma atuação gloriosa, onde podemos ouvir temas intemporais como “Jihad”, “Girl Nation”, “Rim Of Hell” ou “Laugh ‘n’ a ½”, sem faltar, claro, a inevitável “Sleeping My Day Away” que esteve perto dos nove minutos de duração para gáudio do público nortenho. Aproveitando o êxtase que se vivia na sala 1 do Hard Club, os D-A-D fecharam a atuação, e a noite, com clássica “After Dark”.
Tenho esperança de um dia me cruzar com um ser de outro planeta e, quando isso acontecer, uma das primeiras coisas que farei será pô-lo a ouvir o bom e velho rock! Os discos dos D-A-D e dos The 69 Eyes serão dos primeiros que este ser irá ouvir e duvido que regresse ao planeta dele sem, pelo menos, levar meia dúzia de discos destes senhores!
Fotografias: Jorge Resende
























