Há sons associados a uma determinada geração, década e movimento – e se há algo que se faz bem em 2018, é a música industrial. Em plena revolução digital, a pop usa cada vez mais signos ligados à cultura da internet, que se vive em foruns, chats, redes sociais e aplicações.
Se a globalização é uma vantagem nesta revolução, é no lado negro da “geração ritalina” que os novos artistas encontram a inspiração: os exageros do capitalismo selvagem e hipercompetitivo, cujo diagnóstico é depressão, esquizofrenia, défice de atenção e ansiedade por egos alimentados a likes. É a vida virtual a apoderar-se do todo, o papel de ecrã do ambiente de trabalho do computador é a nova janela com vista para o mar.
Eis a doença do século XXI tornada inspiração em pleno 2018. Com kicks sintéticos e baixos agressivos, a música não é aconselhável a epilépticos – mas ouça com phones e de luz apagada. E se quiser, dance.