O Lisbon Beer Department regressa com mais um ano de Ouro, Incenso e Birra, a sua versão Rock’n’Roll das janeiras para responder com música e convívio a estes dias cinzentos e gélidos.
Estamos em janeiro! A família Prudêncio iniciou o seu mês seco, a turba urbano-depressiva o seu recolhimento conformista da segunda-feira gigante! Tudo parece ser cinzento e gélido, mas a vontade de música e convívio é superior! A malta do Lisbon Beer Department percebeu bem isso há já uns tempos e, desde então, tem organizado a sua versão Rock’n’Roll das janeiras, a que decidiu chamar Ouro, Incenso e Birra.
No cardápio da edição deste ano, tivemos 4 palcos (Musa, Dois Corvos, Fermentage e Oitava Colina), 12 bandas, 6 Dj sets, muita cerveja e petiscos variados. Como sobremesa, a delícia de encontrar salas apinhadas de gente sedenta por música e, principalmente, o doce xarope da amizade!
Na impossibilidade de assistir a tudo, instalei-me na Capitão Leitão para aproveitar as ofertas sónicas nos palcos da Dois Corvos e da Fermentage. E foi precisamente neste último que a tarde arrancou com a atuação de Ola Haas. Apoiada no seu primeiro LP (Não sou a mesma pessoa todos os dias, de 2023), a dupla lisboeta encheu a sala de feedback, distorção, desabafos e crítica social, num exercício musical que demonstra que as sementes de irreverência low-fi lançadas entre o fim dos 80 e o início dos 90 vingaram nos mais diversos terroir geográficos e geracionais.
A caminhada até à Dois Corvos levou uns bons minutos, o tempo necessário para beber um copo, começar a colocar a conversa em dia, e recalibrar a estética uns bons anos até ao garage rock d’Os Overdoses. Os autores de All Killers! No Feelers! (de 2024) não se deixaram intimidar pela timidez inicial do público e não descansaram enquanto a sala não se encheu de ancas bamboleantes e restantes manifestações de altas concentrações de Rock’n’Roll no sangue!
Mais um copo, mais uma voltinha. Regresso à Fermentage para finalmente ver Yakuza em palco! Com o novíssimo 2 ainda a rodar, e a crescer, nos meus ouvidos, a curiosidade era muita … a minha e a de muita gente, porque a sala encheu ao ponto de se tornar impossível sair do nosso milímetro quadrado! Apesar das circunstâncias – e já agora, o PA – não serem as melhores, a experiência foi suficiente para perceber que o quarteto lisboeta transporta uma das propostas sónicas mais interessantes dos últimos anos e que merece ser ouvida em palcos muito maiores!
Ainda que na mesma sala e, praticamente, nas mesmas condições, o fenómeno Chat GRP foi radicalmente diferente. O caos e a bandalheira (é um elogio!) parecem ser o habitat natural destes quatro doidos (outro elogio!) que decidiram misturar punk, surrealismo, garage, ena pá 2000, rock, e muita pica num alambique que ainda continha resquícios da última produção de medronho da serra! Um concerto do caraças, com direito a tudo o que tanto queremos, mosh, invasão de palco, muita farra e hedonismo a rodos! Editado há pouco mais de um mês, CHAT GR(E)P tem o mérito de transportar um pouco desta deliciosa loucura, mas estes moços precisam mesmo de ser apreciados ao vivo!
Mais uma caminhada até à Dois Corvos para mais uma sala tão completa como o metro à hora de ponta. Os Al-Qasar aterraram exatamente no meio da ressaca dos viciados do Festival de Músicas do Mundo e/ou das ondas mais étnicas do Sonic Blast! Com o público a dançar nas palmas das suas mãos, o quarteto multinacional foi ao fundo dos alforges ainda cheios de areia, sacar ritmos psicadélicos e melodias orientais capazes de encantar as cobras mais surdas do mundo! Não vi camelos, nem dromedários, mas poderia jurar que aqueles quatro serão os novos reis magos!

















