A calmaria dos Hun Hun serviu para acumular tensão e ganhar forças para a libertar nas atuações explosivas da dupla Errorr e Máquina. O Musicbox, aqueceu, ferveu, suou e atingiu o êxtase … umas tantas vezes!
Os Máquina já são banda residente no Music Box e a sala esgotou mais uma vez para os ver. Percebe-se porquê, estes 3 arrancam a abrir, sem dó nos riffs e delays distorcidos, e assim se mantêm até ao final. Para quem ainda não os viu ao vivo, levem roupa leve e o cabelo solto (quem vos disser que o comprimento importa, mente) para transpirar à vontade no meio do público que já os conhece.
Carregadinhos de electricidade, o trio lisboeta composto por João (guitarra), Tomás (baixo) e Halison (bateria + voz), consegue espontaneidade e simpatia enquanto se entregam ao espírito punk techno cozinhado em estúdio, e depois gentilmente liberto em modo labareda ao vivo. Definitivamente dançável, com a profundidade de um grito lançado em modo desabafo e desafio, a tudo o que sentem e não faz sentido calar.
Após Dirty Tracks For Clubbing em 2023, este ano a máquina já fez digressão pela Europa, lançou o álbum Prata e marcou presença nos festivais Primavera Porto, Sonic Blast e Fuzz Club 2024. Sobre o último álbum, já haviam escrito que “A música dá vida a telas auditivas, pintando panoramas sonoros que se projetam num mundo de sensação tátil e experiências imersivas” e é isto mesmo que encontramos num concerto deles.
A altura da pandemia trouxe o tempo necessário para o fundador e vocalista (Leonard Kaage) dos Errorr produzir alguns arranjos que já tinha acumulado, escrever e instrumentar o seu primeiro álbum.
Foi no seu próprio estúdio que Self Destruct foi produzido e lançado ainda em 2023. Um trabalho que representa uma viagem de crescimento pessoal e reflexão, com um lado negro referente a diferentes cenários de auto destruição que Leo testemunhou, mas não só, já que trabalhar sobre esse lado mais pesado foi uma forma de transformar a negatividade em algo positivo.
Ao vivo, os Errorr podiam ser um comboio de alta velocidade, quando ainda não o vemos mas já o ouvimos lá ao fundo, a avisar que vem aí, que por favor saiam do caminho (but not really). A chamada energia crua e suja, a bateria consistentemente cavalgada, o poder das guitarras barulhentas e um baixo vibrante, tudo fundido numa presença cativante do grupo e letras que vale a pena ouvir com atenção. Em resumo, eles avisaram e só não saiu do caminho quem não quis. Ficámos todos para ser atropelados e parece mesmo que gostámos.
Os Hun Hun apresentam-se como uma dupla de produtores de música eletrónica sediada em Bruxelas, constituída por Jimmy e Noé. Reúnem uma sonoridade retro, inspirada pelos antigos filmes turcos, e exploram o lado oriental da música psicadélica. Curiosamente dispostos frente a frente, de lado para o público, o seu DJ Set foi como se podia adivinhar, exótico e envolvente.
Fotografias: Rui Gato



















