Os Jacarandá fizeram-nos voar: do blues ao lilás, do Mississippi a Lisboa.
É importante começar por esclarecer que as fotos que acompanham este texto são enganadoras. O preto e branco acabou por ser uma decisão técnica para disfarçar a falta de perícia do fotógrafo … isso e as luzes um pouco amareladas da sala. Para além do clima intimista e familiar proporcionado pela acolhedora sala do Com Calma, não existe qualquer motivo estético que possa justificar tanto cinzento.
“É uma banda que associo à cor” disse-me uma amiga presente no concerto da passada sexta-feira. Concordo! Partindo da base já de si colorida dos Blues do Mississipi, os Jacarandá enchem a sua tela musical com os tons vivos do tribalismo e do psicadélico.
Aposto mesmo que uma das primeiras expressões populares que o vocalista Alban Hall terá aprendido em Portugal foi “pintar a manta”! Como se tal paleta não fosse já suficientemente variada, o britânico traz consigo uma bagagem que só poderá ser equiparada por aqueles luxuriantes estojos de lápis de cor da Caran D’Ache com que sonhávamos quando éramos miúdos! Se não vejamos: uma voz imaculada intercalada por um registo spoken word com tanto de sentimento quanto de sotaque – ou por um “grasnado” a la Captain Beefheart. Junte-se a isto, a flauta e um magnífico conjunto de harmónicas monocasta – se me permitem a mudança de metáfora.
Se isto vos está a começar a parecer demasiado trippy, não se preocupem, a ligação à terra é assegurada não só pelo conteúdo lírico bem enraízado na natureza, como por um fundo sónico bem sustentado numa secção rítmica conduzida pelo baixo – a cargo de Ricardo Freitas – mais pesado que uma âncora e pela percussão do estreante Jonathan Barral.
Deixei para o fim o maravilhoso trabalho de cordas de Philippe Lenzini, porque confesso, foi o que eu gostei mais! Aquele fantástico tom de guitarra manda-nos sentar, fechar os olhos e viajar!
A repetir. E que venha depressa o álbum de estreia.













