Fomos ao B.Leza e vimos a pista encher para, finalmente, dançarmos ao som de Femme Falafel e do seu Dói-dói Proibido.
Entre caras conhecidas e dois dedos de conversa, percebemos que há qualquer coisa na escrita cómico-trágica de Raquel Pimpão com a qual nos relacionamos. Talvez seja a forma leve e, aparentemente, despreocupada como conta o que lhe passa pela cabeça, pensamentos que todas nós temos e se calhar não os expressamos, mas de repente alguém diz e lembramo-nos que também os temos.
Passamos pelo bar e quando entramos na pista reparamos num palco cheio de instrumentos. A sensação de que estamos prestes a assistir a um bom concerto começa a instalar-se. A pista começa a encher e a banda entra em palco.
Para além dos músicos habituais que a acompanham, Lana Gasparotti nos teclados e sintetizadores, Tiago Martins no baixo e Chico Santos na bateria, temos também Margarida Campelo nos teclados e coros, Beatriz pessoa nos coros, Manuel Pinheiro na percussão, Bernardo Tinoco no saxofone tenor, Micael Pereira no trompete e Ricardo Sousa no trombone.
Femme Falafel junta-se finalmente, e sobe ao palco com um vestido comprido de lantejoulas, super elegante. Já a restante banda, estava apetrechada com os looks usados na curta que feita para a apresentação de Dói-dói Proibido. Desde enfermeiros, a mitras indies, passando também pelos lenços na cabeça como nos anos 60. Esta explosão de cor e elegância representa a vibe que se sentiu durante todo o concerto.
Voltando à música, as teclas eletrizantes e mediavalescas de Lana Gasparotti começam a ouvir-se, e entramos numa mistura de sons e estilos que põem toda a gente a dançar. Todos estes instrumentos dão um corpo diferente às músicas que já conhecíamos. O disco, o house, o hip-hop fundem-se, mas sobressai o jazz nestes arranjos. Com solos em quase todas as canções e espaço para que todos os músicos brilhem no palco, provam que não somos só nós, o público, a divertirmo-nos esta noite.
Para além das músicas do álbum que apresenta e que o público canta de cor Femme Falafel presenteia-nos com três novos temas. Se os temas do álbum são mais animados, os novos apresentam uma vibe mais melancólica, antecipando uma fase mais dark, como disse Raquel. Ainda assim, o groove mantém-se e as canções fazem-nos dançar, mesmo que de forma mais calma.
Na “Floresta da Amazónia”, Femme Falafel traz uma varinha com que manda toda a gente cantar a única frase que ecoa nessa canção “parem de fod*r a floresta da Amazónia!”, e diz que esta é a sua única música de intervenção, para já.
Diria que Femme Falafel não é uma one hit wonder, mas a verdade é que o momento mais esperado da noite foi “A Depressão”, primeiro single deste álbum e que ficou para encore. Cantou o primeiro verso e o primeiro refrão em tom de balada, só voz e teclas, mas o segundo verso explodiu na felicidade e excitação que todas estávamos à espera. O público saltou, dançou e cantou a plenos pulmões toda a canção. Fomos muito felizes com uma canção que fala sobre estar triste… As ironias da vida!
O B.Leza foi o local ideal para a apresentação de Dói-Dói Proibido, porque dançamos e rimos muito ao som desta mini jukebox que é o álbum de Femme Falafel. É uma boa parte da música como um todo, fazer-nos dançar, cantar e trazer-nos para o momento presente.
Setlist:
Intro feudalizante
Romance feudal
Camada do ozone
Parabólica
Mitra indie
Oito nove três xinada de yakuza
Flex de julieta
Envenenados por mercúrio (instrumental)
Floresta da Amazónia
Livre arbítrio
Rio
Depressão
Texto: Ana Maria Farinha | Fotos: António Vouga





















