Vivemos tempos apressados e doentios, que não nos deixam viver, mas apenas assistir ao que passa diante dos nossos olhos. The Ephemeral, o quarto longa-duração dos Evols, fala disso mesmo, de um tempo em que todos andamos em bicos de pés, tentando sobreviver à efemeridade. Ao longo de oito faixas, o disco retrata essa urgência constante com notável beleza e profundidade.
O disco começa com uma descarga sónica, onde sons aparentemente aleatórios se cruzam, funcionando como um chamamento de iniciação. A partir daqui começam as canções propriamente ditas, onde as guitarras são a realeza, mas que neste disco se fazem acompanhar de novas cores e ambientes, criando espaço a novos argumentos e construções sonoras. “Arp Drama” é o perfeito exemplo disso mesmo, começa de uma forma discreta e sedutora e vai crescendo, como uma construção de Lego, nota a nota, instrumento a instrumento, até nos envolver numa teia melódica. A introdução do saxofone nas composições dos Evols, fruto da colaboração com o notável Rodrigo Amado, é uma adição valiosa que acrescenta beleza, mas também imprevisibilidade. Falando em colaborações, de realçar também as de Calcutá (Teresa Castro) e Sara Macedo, que juntaram a sua voz em alguns dos temas do disco, trazendo uma nova perspetiva e até doçura a cada tema que participam.
Há muita coisa a descobrir em The Ephemeral, camadas sobre camadas de saborosas melodias, improvisações espaciais e exploração de novos estilos musicais, tudo trabalhado com o máximo cuidado, E não são apenas as colaborações que trazem uma nova dimensão ao som dos Evols, é também a composição cuidada de cada tema, a atenção que dão ao pormenor, ao detalhe, que contrasta, lá está, com a efemeridade dos tempos. Quando damos o tempo necessário ao que quer que seja, o resultado é sempre melhor.
É um disco para ouvir sem pressa, em loop, até porque, acreditem, a cada nova audição soa ainda melhor. A preocupação que é tema deste trabalho não terá efeito nele, porque não deixarei que The Ephemeral se esfume ao fim de alguns meses. É, sem dúvida, um daqueles discos que irei visitar assiduamente.