Fazer anos pode ser uma alegria. Que o diga João Simões, vocalista dos Belinda Rose, que aproveitou o seu aniversário e programou a Belinda Birthday na Musa de Marvila, uma noite de festa que contou com o apoio dos amigos Humana Taranja, Clauthewitch e djs variados, para celebrar em grande.
A festa de aniversário começou com um dj set do aniversariante (rapaz para lá de multifacetado, percebemos), logo em seguida um dj set da dupla Marta San e Mickey The Frog (o nosso amigo Fábio Pais), passando por concertos dos amigos Humana Taranja, Clauthewitch, culminando na banda da noite, os Belinda Rose.
Os Humana Taranja são já nossos velhos conhecidos, aqui no Altamont gostamos muito deles (temos muitas reportagens feitas sobre eles, procurem!). Como de habitual, deram um belo concerto, sempre muito entrosados (prefiro em inglês “tight”, mas vocês percebem), encantando com músicas bem trabalhadas, orelhudas e que puxam por nós.
Como as saudades de os ver já nos apertavam muito os corações, foi uma delícia voltar a sentir algumas pérolas de Eudaemonia como “Guerra” – uma das nossas preferidas – ou “Podem entrar” – uma das preferidas de toda a gente – e de Zafira como a poderosíssima “Tum Tum” com que finalizaram a sua atuação. Pode até ter-nos faltado o “Copo de Vinho” – afinal estávamos numa fábrica de cerveja … eh eh eh – mas tivémos o previlégio de escutar três temas do próximo álbum da banda, que deverá estar cá fora no início do próximo ano. Resultado final: corações cheios e muita água na boca!
Os Clauthewitch, banda de Cláudia Noite (vocalista), Diogo Lourenço (guitarra) e Nico Eon (guitarra e parte electrónica), trouxeram-nos um shoegaze com pinceladas de post-punk melódico, entre sons mais etéreos e guitarras que nos fizeram lembrar, por momentos, os Mazzy Star. A voz de Cláudia Noite, etérea e meio celestial, foi sendo acompanhada por guitarras e distorções que nem sempre percebemos se são intencionais, mas que aprofundam este som mais de shoegaze.
Pelo meio, houve espaço para sons mais dançáveis, em que sentimos uma maior proximidade da banda entre si, uma espécie de simbiose que convida o público a abanar a anca. Ainda tivemos direito a uma versão de Fontaines D.C. (“Jackie Down the Line”), que até conseguiu puxar um mini mosh.
Mas, bem, a noite foi, sobretudo, dos Belinda Rose, ou esta celebração não se chamasse “Belinda Birthday”. A banda, formada por João Simões (voz, guitarra e sintetizadores), Michelle Martin (voz), Margarida Quesada (guitarra e coro), Arthur Melo (baixo) e João Ribeiro (bateria), acabaram de lançar o single “Yesternight” e andam em tour Portugal, razão pela qual agraciaram a sua presença na Musa.
Com um single acabado de sair (e um álbum a caminho, confirmaram), a banda encontrou uma Musa cheia para os receber e não desiludiu. Desde os primeiros acordes, percebeu-se que havia ali muita pica, boa energia entre todos e, acima de tudo, um som muito próprio (e fixe), algures entre o rock alternativo e o post punk.
Ao longo daquela hora ficámos com a sensação de que eles têm potencial para furar a bolha da cena alternativa e crescer para além disso. Som muito próprio, mas orelhudo, sem ser necessariamente “comercial”, aliado a uma banda bastante cativante, com a vocalista Michelle Martin e sua presença magnética, quem assistiu ficou rendido. Houve muita harmonia recíproca entre banda e público, culminando num equilíbrio por vezes complicado de conseguir, especialmente com uma banda “recente”.
Na última música, Michelle foi para o meio do público, cantando entre todos, quebrando qualquer réstia de linha entre banda e quem assistia. No fim, ainda houve tempo para serem cantados os parabéns a João Simões (e aos Belinda Rose), com direito a bolo e tudo, não fosse isto afinal uma festa de aniversário.
Fotografias de Rui Gato.



































