Os Transvision Vamp, a banda de finais dos anos 1980 conhecidos pelos hits “I Want your Love” e “Baby, I Don’t Care”, tocaram no Lisboa ao Vivo, quase 37 anos depois da última – e única vez – que passaram por Portugal, em novembro de 1989.
Vamos começar pelo início. Os Transvision Vamp são uma banda de new wave/pop-punk (aqui a ordem é importante, porque o punk é mais pela atitude do que pela sonoridade) formada em 1986 em Inglaterra. Lançaram o primeiro álbum em 1988, o segundo em 1989 e o terceiro em 1991, ano em que cessaram actividade. Como indicam as datas, a carreira foi curta, mas icónica, e por três razões: “I Want your Love” e “Baby, I Don’t Care” – duas excelentes canções pop que ainda hoje, quase 40 anos depois, se mantém um sucesso – e a vocalista e alma da banda, Wendy James, cuja atitude e forma de vestir e de atuar a transformaram num símbolo de independência feminina, mas também num sex symbol.
Ora, os Transvision Vamp tocaram em Lisboa no Lisboa ao Vivo (LAV), quase 37 anos depois dos primeiros e únicos espectáculos que deram em Portugal, em novembro de 1989. Um concerto que foi, sobretudo, para avivar memórias de quem era adolescente na altura ou de quem, há uns anos 20 anos, cantava em plenos pulmões “I Want your Love” e “Baby, I Don’t Care” quando essas canções passavam nas discotecas da moda.
E assim foi, mas ao contrário desta escriba que saltou e cantou com estas duas canções e só mais umas três ou quatro, o público do LAV – composto por quarentões e cinquentões, alguns acompanhados dos filhos pré-adolescentes – mostrou-se real conhecedor dos álbuns da banda, principalmente dos dois primeiros, Pop Art e Velveteen, que foram tocados quase na integra. O público deu saltos e berrou em “The Only One” e “Revolution Baby”, sorriu de forma enternecida e cantou de olhos fechados nas baladas “Sister Moon” e “Landslide of Love”, e ainda homenageou Wendy James, chamando por ela inúmeras vezes e até usando vestidos e tutus cor de rosa ou fitas para o cabelo pretas às bolinhas brancas.
Mas, acima de tudo, o público do LAV foi extremamente compreensível com o passar do tempo, não esmorecendo nem deixando de retribuir. Porque o importante eram as canções. A música e as memórias que trazia.
É que Wendy James está com 60 anos, não tem a mesma energia em palco e em vez de vestidos cor de rosa e laços na cabeça optou por um look mais simples, ainda que punk: collants de vidro pretas, sapatos de salto pretos e uma t-shirt branca da atual digressão da banda. Além disso, apesar da voz se manter surpreendentemente igual ao que se ouve nos discos, já apresenta algumas falhas ocasionais, e a banda que a acompanha – na qual apenas o baixista Dave Parsons se mantém da formação original – foi demasiado estática, apesar da qualidade técnica (estão lá membros do grupo de Thurston Moore, dos Sonic Youth e dos Bad Seeds de Nick Cave).
Se havia dúvidas, ficou provado que Wendy James – hoje uma figura frágil em aparência – é, de facto, a alma da banda. Foi ela que suportou o concerto, interagindo com o público, conversando com ele de forma delicada e divertida com o seu carregado sotaque inglês, e até agradecendo por estarem ali, passados tantos anos. E só estavam, porque – e perdoem-me a repetição – o importante eram as canções. A música e as memórias que trazia.
Setlist
Trash City
Tell That Girl to Shut Up (cover de Holly And The Italians)
I Want Your Love
Speedball (tema de Wendy James a solo)
Sister Moon
Pressure Times
You’re a Dirtbomb Lester (tema de Wendy James a solo)
The Only One
If Looks Could Kill
Born to Be Sold
Down On You
Revolution Baby
Pay the Ghosts
Landslide of Love
Baby I Don’t Care
Encore
The Impression of Normalcy (tema de Wendy James a solo)
Bad Valentine
Velveteen
Fotografias por Felipe Kido.


















