O Sónar Lisboa 2025 reafirmou a capital portuguesa como epicentro da música eletrónica global, ao reunir lendas internacionais e talentos nacionais emergentes num festival que celebrou a diversidade sonora e cultural.
De 11 a 13 de abril, o festival voltou a ocupar o coração da cidade com uma programação poderosa — tanto a nível internacional como nacional — e com um público entusiasmado que preencheu cada palco, de dia no Parque Eduardo VII até à madrugada no Pavilhão Carlos Lopes.
Entre os momentos mais marcantes estiveram as atuações dos gigantes da música eletrónica. O duo britânico Underworld trouxe uma viagem emocional ao passado com a celebração dos 30 anos do clássico dubnobasswithmyheadman, ao mesmo tempo que nos projetou para o futuro com o novo projeto Strawberry Hotel. Richie Hawtin ofereceu uma experiência sensorial e cerebral com o espetáculo imersivo DEX EFX X0X, e Jeff Mills, figura mítica do techno de Detroit, encerrou o festival com uma atuação intensa e transcendente.
A presença de nomes como Nina Kraviz, Modeselektor, Anetha com o seu projeto visual EXHIBIT, Marcel Dettmann e Max Cooper garantiu uma curadoria que equilibrou inovação e experiência — sempre com a assinatura Sónar de vanguarda, experimentação e ousadia estética.
Especial destaque para Max Cooper, verdadeiro pioneiro da espacialização sonora no contexto da música eletrónica. Com o seu espetáculo Lattice 3D/AV, Cooper não só encantou com a complexidade visual e emocional da sua linguagem artística, como reforçou o seu lugar na história — explorando novos paradigmas de imersão, onde som e espaço se tornam uma só matéria. A sua atuação foi mais do que um concerto: foi uma instalação audiovisual viva, uma experiência sensorial que desafiou os limites da perceção.
O poder da cena nacional
Mas talvez o mais impressionante tenha sido ver o talento português a ombrear com os grandes nomes. A energia que se viveu nos showcases dos coletivos Príncipe x TraTraTrax, Enchufada e Dengo Club mostrou que Portugal não está apenas a importar cultura de dança — está a exportá-la, reinventando-a com identidade própria.
O carisma e a intensidade de DJ Firmeza b2b Nick León, a fluidez de Pedro da Linha, a força vocal de Rita Vian, e a vibração inclusiva e combativa dos artistas do Dengo Club provaram que Lisboa tem um som próprio — um som que cruza continentes, géneros, e vivências diversas. E esse som está a ser ouvido.
Diversidade como força
Num festival onde a tecnologia, o som e a arte caminham lado a lado, a diversidade foi mais do que uma nota de rodapé — foi parte central da narrativa. A presença marcante de coletivos queer como o Dengo Club trouxe à pista uma energia crua, emotiva e profundamente política. Com artistas como Saint Caboclo, San Farafina, Banu e Lua de Santana, o palco tornou-se um espaço de afirmação e celebração de corpos dissidentes, estéticas alternativas e vozes que merecem ser amplificadas.
Foi um lembrete claro de que a pista de dança pode — e deve — ser um espaço de liberdade, expressão e inclusão. Um lugar onde todas as identidades se encontram, onde o som não discrimina e onde a música é, acima de tudo, um catalisador de pertença e união.
Uma cidade em ascensão
O que se viveu no Sónar Lisboa 2025 foi mais do que música. Foi o reflexo de uma cidade em plena transformação cultural. De dia ou de noite, os espaços encheram-se de pessoas vindas de todo o mundo — algumas pela primeira vez, outras já habituadas ao magnetismo de Lisboa. Houve uma energia difícil de explicar: um sentimento de que algo importante está a acontecer aqui, agora.
Lisboa já não é apenas um ponto de passagem: é um destino para quem procura novas experiências sonoras, para quem quer dançar ao ritmo da descoberta. Estamos a assistir à consolidação de uma cena eletrónica nacional madura, plural e em expansão. Uma cena que honra o seu território e, ao mesmo tempo, dialoga com o mundo.
E foi bonito de ver.
Texto de Ana Rita Costa
Fotografias de Cecile Lopes

































