O Raul fez abaixo uma bela análise à história do século XX! Faltou mencionar talvez os Rage Against The Machine para levar ao extremo as ligações existentes entre o mundo da música e a envolvente política, mas pareceu-me muito bem.Não posso é deixar de defender a qualidade de música do início dos anos 90, (a sua maioria vindas de Seattle mas não só), que se apelidou de grunge (que a meu ver é redutor, uma vez que se colocou no mesmo saco estilos de músicas diferentes). Estas bandas não se definiram pelo que ouviam na MTV, muito pelo contrário, foram contra tudo o que passava na MTV antes deles (final anos 80), quiseram mudar tudo o que estava estabelecido, e conseguiram-no de tal forma que todas as atenções se viraram para eles. E para isso é que eles não estavam preparados e com isso é que não conseguiram lidar (à excepção talvez dos Pearl Jam, que à custa de muitas guerras travadas, TicketMaster, não dar entrevistas, não fazer videoclips, passaram por dificuldades, mas mantiveram-se unidos, suportados por uma enorme base de fãs, da qual orgulhosamente faço parte). A própria MTV não estava preparada para tipos anti-establishment e por isso usaram-nos e rapidamente os deitaram fora, trocando-os por bandas pré-fabricadas para o sucesso.
Ainda sobre a geração X… Ou não…
A questão de não se ouvir grunge hoje (há quem ouça, mas concordo que a maioria não está para aí virada) diria que tem a ver com modas. Durante anos não se ouviu falar em Orange Juice e Gang of Four, até aparecem uns Franz Ferdinand a dizerem que estas tinham sido as suas influências. Quantas bandas dos anos 80 voltaram a aparecer nos últimos tempos com uma vaga revivalista? A música tem ciclos, e não tenho dúvidas que brevemente irão aparecer bandas com influências de Pearl Jam, Smashing Pumpkins, Mudhoney, entre outras. A qualidade está lá, é apenas uma questão de ciclos. Mas para quem descobriu a música com essas bandas, nunca serão esquecidas ou encostadas.
Alexandre Pires
Nasci em terras de Vera Cruz, decorria ainda a década de 70. De pequenino me apercebi que estava destinado a grandes feitos e quis desde logo deixar a minha marca, começando por atravessar o Atlântico a nado. Dessa experiência guardo sobretudo água salgada nos ouvidos, água essa que me impediu de dar ouvidos ao meu pai que queria fazer de mim engenheiro. Hoje, quando me perguntam a profissão, não sei o que responder. Tenho vários chapéus que vou usando consoante a ocasião, desde economista proeminente a futebolista de sonho, de crítico de música amador a empreendedor visionário, de tenista de meia tigela a DJ concorrido, de amante cinéfilo a pai dedicado.
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O post do raoul teve outra falha grave: não falou do punk como movimento contra-político.
O que marcou os anos 70, que o raul apelidou ignorantemente de “seca”, foram bandas como os sex pistols ou clash que contestaram o regime inglês: da rainha à ministra tachter.Estamos em plena época das greves e desemprego em Inglaterra.
Depois dos sex pistols, criar uma banda foi bem mais fácil para qualquer bando de garotos.
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Concordo inteiramente com este post. Abraço