Vaneno e Det·saW Coyote vieram ao Vortex espalhar as respetivas estirpes de Caos! Como é natural, ninguém saíu incólume. Nem era esse o objetivo!
Bem sei que a Earache Records é uma das editoras míticas do Heavy Metal, a quem devemos a edição dos primeiros discos de grindcore e death metal entre o final dos anos 1980 e meados dos anos 1990, em que talvez Scum dos Napalm Death seja mais reputado. Mas apesar de ser um nome brutal para uma editora musical, dor de ouvido a caminho de uma otite é pouco simpático para fazer reportagem de um concerto, independentemente do estilo de música! Tudo isto para apresentar as minhas desculpas pelas limitações que possam sentir nesta reportagem.
Vaneno e Det-saW Coyote foram até ao Vortex mostrar os seus discos acabados de editar (foi em Maio … há dois dias, portanto). Os respectivos títulos – Chaos, Hostility, Murder e Caos, Suor e Desacato – ajudam a ilustrar tanto o que estas bandas têm em comum quanto o que os distingue. Partilhando o ano de origem (2017), e já agora o baixista Pedro Fernandes, os dois quintetos subiram ao palco do Vortex deixando os respectivos vocalistas ali bem junto do público! Dificulta-se a vida dos fotógrafos (tenho mesmo que arranjar um flash!), mas espalha-se melhor o Caos, a mensagem e a energia! Ainda que de ouvido tapado e de câmara quase cega da penumbra, é fácil sentir as ganas e o gozo daqueles nove músicos em praticar a sua arte.
Da mesma forma, o que se segue ao Caos mostra que ambas as bandas seguem por caminhos diferentes. Os Vaneno vão às escuras, por ruelas sujas e cinzentas, guiados pela cavernosa e poderosa voz de Alexandre Fernandes. Nota-se o seu amor pelo sludge, mas a coisa não parece ficar por aí, a parede de som edificada pelas guitarras de António Tavares e Felipe Peraboa, com a ajuda do baixo saturadíssimo do já mencionado Pedro Fernandes, trazem-me ao ouvido bom outras sonoridades mais contemporâneas e pós qualquer coisa, que estas etiquetas não param de ser inventadas. Adorei ainda a diversidade austera da bateria a cargo de Miguel Nunes, reforçando ainda mais as texturas do viciante ataque sónico dos Vaneno. É só este ouvido melhorar e voltarei a Chaos, Hostility, Murder … Pronto!
O Caos dos Det-saW Coyote é bem mais colorido. As bolas de praia espalhadas pelo palco enunciam ao que vêm … ao tal desacato e suor. O vocalista Francisco Oliveira tem dons de one man show … salta, torce-se, canta e grita … está em todo o lado. Tão depressa em cima do palco como à frente da tua cara. Sem medos e sem vergonhas … e ainda bem! A banda mistura idiomas e linguagens estilísticas. Punk, rock, alguns pós metal outros, arrisco a dizer, mais poppy! Confesso que me perdi um pouco ali a meio – já sabem que tenho desculpa médica, não é? Há muitas ideias, e muitas delas bem boas … mas sinto que aquele caos, desacato e suor poderá ganhar com um décimo da austeridade dos irmãos Vaneno. A seguir, definitivamente.
Texto e Fotografias: Rui Gato

























