Noite de novos e velhos deuses, o declínio e queda nunca foram hipótese, antes a glorificação de novos e velhos sons que se tornarão eternos. The Young Gods protagonizaram um concerto de certezas absolutas e os Decline And Fall de ideias transformadas em canções.
A primeira parte desta noite coube aos Decline And Fall, projeto que surgiu de forma surpreendente em 2024. É um projeto que junta dois músicos consagrados, Armando Teixeira, membro fundador dos inconfundíveis Bizarra Locomotiva e do projeto a solo Balla, para citar os mais relevantes, e Hugo Santos frontman dos poderosos Process Of Guilt. A eles, junta-se ainda Ricardo Amorim, jornalista e escritor, que está a carga das letras e teclados. Editaram em 2025 o primeiro álbum, Scars And Ashes, o qual têm vindo a promover um pouco por todo o país. No passado dia 24 de outubro tiverem oportunidade de o apresentar ao público do Porto e aos fãs de Young Gods, uma das bandas que os inspiram. O som entre o post-punk e o dark wave envolveu o Hard Club numa neblina negra e misteriosa, muitos olhares curiosos e ouvidos atentos, muito sorrisos e sinais de apreço a cada música nova. Uma prestação credível e entusiasmante que promete boas novas.
Se a sala um do Hard Club não estava lotada não estaria muito longe disso. Quem ali estava, esperava ansiosamente pelo lendário trio suíço, um dos projetos de rock industrial mais influentes dos anos 1990. A banda liderada por Franz Treichler, da formação atual é o único membro original da banda, tem uma legião de fãs fiéis um pouco por todo o mundo e Portugal não é exceção. Muitos do que ali estavam, já os viram várias vezes ao longo destas quatro décadas de carreira, mas ali estavam, felizes por mais este concerto como se fosse o primeiro. Assim que a banda surge em cima do palco, a excitação toma conta da sala e a hora e meia que se seguia seria de pleno deleite. A atuação começou com “Appear Dissapear”, tema que dá nome ao mais recente álbum da banda, editado este ano, mostrando que não pretendem ficar presos ao passado e que The Young Gods são uma banda do presente e com os olhos no futuro. Aliás, a atuação foi centrada no mais recente trabalho, que foi intercalado com algumas músicas mais antigas e marcantes da carreira da banda, como “All My Skin Standing”, “The Night Dance” ou “Gasoline Man”. O que a banda nos deu, foi uma noite de rock com ritmos dançáveis, verdadeira e honesta, que agarrou o público do princípio ao fim. No fim ninguém queria sair dali, a banda percebeu isso e presenteou a plateia com dois encores, terminando o concerto com “Did You Kis Me”, cover de Gary Glitter que figura no primeiro trabalho da banda.
Em ano de celebração dos quarenta anos de vida, The Young Gods regressaram a Portugal para dois concertos nas duas maiores cidades do país e comprovaram que a idade é apenas e somente um número.
Fotografias: Jorge Resende














