O Altamont foi até à eliminatória de Loures da 29ª edição do Termómetro, onde Femme Falafel amadrinhou os esforços de Proxy Fae, Ya Sin e Margô!
Depois de há duas semanas ter regressado ao Festival de Música Moderna de Corroios, subi um pouco a margem norte do Tejo até São João da Talha para, finalmente, conhecer outra das principais incubadoras de bandas nacionais. Ao longo dos últimos 31 anos, o Termómetro ajudou ao crescimento de uma série de bandas e artistas, antes de se tornarem fenómenos de massas. Ornatos Violeta, Capicua, Noiserv ou Silence 4, são apenas alguns exemplos do extenso curriculum da iniciativa que o radialista Fernando Alvim criou e em que continua a apostar.
Revelando a sua crescente preocupação por chegar a novos públicos, a edição de 2025 tem viajado de Norte a Sul do país. Durante o passado mês de março, o Termómetro assentou arraiais em Aveiro, Guimarães, Porto, Oeiras, Loures e Arruda dos Vinhos. Se descobrir novos talentos e matar saudades de outros nomes mais conhecidos vos der, pelo menos, metade do prazer que nos dá a nós aqui no Altamont, ainda vão a tempo das edições de Odemira (11 de abril) e Mealhada (13 de abril) e/ou da Final que decorrerá em Lisboa no próximo 17 de maio. Cada sessão/eliminatória conta com três bandas a concurso e com uma banda convidada para a saideira. O prémio do vencedor não é, definitivamente, de descorar … toneladas de exposição garantida por atuações na edição de 2026 de festivais como o NOS Alive, Bons Sons e Vodafone Paredes de Coura, e pela produção de um teledisco.
A primeira das bandas a concurso na passada sexta-feira foram os Proxy Fae, compostos por Cláudia Noite (voz) e Nico Éon (produção e eletrónicas). A doce sonoridade desta parelha lisboeta voga ao sabor da maré hyperpop que tem vindo progressivamente a ocupar mais espaço nas ondas hertzianas e, sobretudo, nas múltiplas aplicações que vamos instalando nos nossos telemóveis.
Seguiu-se Ya Sin, o quinteto liderado pelo cabo verdiano Yacin Lopes. Ainda que assentes numa abordagem mais analógica (teclas, guitarra, baixo e bateria) e assente na tradição R&B e Hip Hop, a banda traz-nos a frescura do Neo Soul e os doces temperos do Cabozouk, criando uma camada instrumental dinâmica, bem à medida dos multilingues dribles verbais de Yacin.
Margô é o nome do último dos projetos a concurso da noite no Grupo Dramático e Recreativo Corações de Vale Figueira. Nova parelha voz-eletrónicas, desta vez num registo rítmico mais diverso (alguns temas mais acelerados alternam com outros de maior calmaria) e algo tingido pelas sombras da mente.
A madrinha da eliminatória de Loures foi Femme Falafel acompanhada por Lana Gasparotti (teclas), Francisco Santos (bateria) e Tiago Martins (baixo). Pop, disco, house e hip hop misturados em ponto rebuçado para acamar da melhor forma as criativas e, porque não elogiar, bem dispostas construções líricas de Raquel Pimpão. O quarteto aproveitou o balanço imposto pelos seus afilhados e imprimiu-lhe o carimbo de festa proporcionado pela experiência e, talvez, pelo alívio de não estar a concurso. Ironicamente, ou não, “Depressão” foi mesmo o ponto alto da noite, colocando os pés mais teimosos em movimento.
Fotografias de Rui Gato























