O cor de rosa ficou no shopping! O vortex pinta-se de todas as outras cores … principalmente as da luta e da juventude trazidas pelos catalães Sayón e pelos lisboetas Stavold.
Sayón e Stavold saíram diretamente da garagem para o palco do Vortex. Vieram na parte de trás da carrinha e de olhos vendados para não verem a luz do dia. Foi o que ouvi dizer e eu acredito, pois a negritude que saiu daquelas colunas só foi igualada pela agressão sónica a que fomos sujeitos. Isto, se calhar, soa mal … mas é uma coisa boa! E juro que não estou com Síndrome de Estocolmo. Honest!
Oriundos de Barcelona, mas com pelo menos uma costela colombiana, os Sayón são um trio cuja linha da frente dificilmente poderia ser mais contrastante. Esteban (guitarra e voz) tem uns bons dois metros de altura enquanto o micro de Anyella (baixo e voz) mesmo colocado lá em cima – à Lemmy – não deve estar a mais do que 160 cm do chão. Esteban quase Viking, Anyella quase Pocahontas. As aparências podem iludir, no entanto, porque a intensidade de ambos é máxima e competem entre si na potência da voz e na capacidade de perfuração dos seus gritos. O ataque sónico é brutal e tremendamente empolgante, sobretudo se atendermos que o trio tem apenas uma cassete Demo editada no ano passado!
Como referido, Anyella e Esteban partilham as vozes, mas esse diálogo estende-se ao baixo gordo e cativante e a licks e riffs viciantes da guitarra, que por vezes foge de forma extremamente criativa às tonalidades metálicas. Na bateria, Xavi vai sustentando a coisa de forma convicta e segura, arriscando mesmo momentos de groove sublime, que tanto me cai no goto! Se estes são os primeiros passos, quero muito ver o que se seguirá. Sayón é um nome a fixar!
Apesar de igualmente verdinhos e da ausência de registos gravados, os Stavold não são propriamente desconhecidos. Não só porque em cima do palco estão algumas caras que costumamos ver noutras áreas do Vortex – é a prata da casa, como anuncia o cartaz – como por já os termos visto há pouco mais de um ano! Para além das mudanças no line-up fiquei com a ideia de que a sonoridade da banda ganhou alguma agressividade e peso. A abordagem rítmica também me pareceu mais seca – não podes ter sempre groove, Rui! – mas direta ao assunto, como manda a estética do quinteto! A reboque de uma atuação bastante poderosa e de um frontman cada vez mais à vontade, a animação da sala foi chegando ao nível que, felizmente, nos tem habituado.
Fotografias Rui Gato



















