Reportagens

Wolf Alice || Coliseu dos Recreios

Os londrinos Wolf Alice mostraram-se donos de um lugar no pódio do rock alternativo, e o Coliseu de Lisboa foi o cenário escolhido para a terceira passagem pelo nosso país.

O relógio marcava as 20:30 quando Wolf Alice subiu ao palco do Coliseu dos Recreios, em Lisboa, para o seu primeiro concerto em nome próprio no nosso país. Para além da escolha da sala ter sido ambiciosa, o anúncio do concerto não foi feito com uma antecedência simpática, e talvez por isso só esteve presente quem anda mais atento a estas andanças. Mas, como diz o povo: só interessa quem está.

A sala estava folgada, mas perante o baixar das luzes, começaram a soar uivos, tanto do palco quanto do público, e adivinhava-se uma entrada colossal. Cada elemento da banda era iluminado com um foco à medida que começava a tocar: Joff Oddie na guitarra, Joel Amey na bateria, Theo Ellis no baixo, e Ellie Rowsell como frontwoman de guitarra em riste.

“Your Loves Whore” foi o tema escolhido para acender o rastilho do que viria a ser um concerto intenso e concentrado. Seguiu-se “Yuk Foo” para nos relembrar que os Wolf Alice são como o nosso irmão mais velho que está no auge da rebeldia que nós gostamos de observar.

As músicas energizavam-se umas atrás de outras, e “You’re a Germ” antecedeu a já respeitada “Don’t Delete the Kisses”, que a banda confessou ter escrito a pensar numa daquelas músicas que queremos ouvir com a cabeça de fora do vidro do carro numa longa viagem. “St.Purple & Green” mostrou uma fragilidade técnica ao não conseguirmos ouvir a voz de Ellie dada a falha num dos microfones, mas o público mostrou-se empático e aplaudiu.

Bola para a frente e seguiu-se o terceiro single do álbum Visions Of a Life: “Beautifully Unconventional”. Não era difícil de entender que o concerto em dia de feriado nada tinha de mórbido, muito menos de santo. “Formidable Cool” foi o momento ideal para Ellie demonstrar toda aquela sexyness blasé a la Mosshart, que foi um match certo durante todo o concerto com o jogo de luzes.

Tocou-se “Planet Hunter”, e seguiu-se a pergunta: “Anyone know what we’re gonna play next?”. Era óbvio, o público gritou a plenos pulmões o nome da capital portuguesa, e foi “Lisbon” o próximo tema.

“Silk” juntava-se ao alinhamento a relembrar a banda sonora do filme Trainspotting 2, e “90 Mile Beach” foi a primeira música a ser recuperada do EP de 2013, Blush.

Chegava agora o momento de arrancar o primeiro sorriso da frontwoman com um público a entoar “Bros” com sorrisos estampados nas caras. As três seguintes músicas pertencem a Visions Of a Life e seriam “Sadboy”, “Space & Time” e o tema homónimo do álbum, e foi nessa altura que a banda londrina reconheceu o prestígio do público português. Ellie aproveitava para perguntar: “How do you say I love you in portuguese?”, mas a resposta não pareceu conclusiva, riu-se e respondeu: well, I love you anyway!”.

O tema que antecedeu o encore foi “Fluffy” e isso lembrou-nos que Wolf Alice são os espanta-espíritos que colocamos atrás das portas. Certo e sabido que ninguém arredava pé, e voltaram para tocar o tema que dá nome ao EP de 2013, “Blush”.

A noite terminava com “Giant Peach”, com uma linha de baixo inconfundível e Ellie Rowsell a confundir-se com o público, e a saída era desta forma feita sem ressentimentos. No final, entregavam-lhes a chave do Coliseu e, por nós, era festa todas as noites.

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Fotografia: Inês Silva

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