Reportagens

Tim Bernardes || ZDB

Não há nem tempo nem espaço. Tudo flutua entre paisagens e tons, sinais de todas as partes, linhas de equadores a norte e a sul de todos os pecados do planeta. A unir o que não tem tamanho, a unir o mundo que se costura num fio de som, a música!, que de tão noturna parece que só tem vontade de brilhar para dentro. Um novelo de luz a enrolar-se em cada um de nós. Lá fora, a poucos passos deste espaço, haverá noite e haverá dia, solidão e companhia por entre versos de muitas e perpétuas canções. Afinal, o que existe fora de nós também pode caber no mais íntimo de nós. É só tentar que assim seja, é só tentar “recomeçar” o que queremos que não acabe nunca.

Depois há a tristeza, o sofrimento, a dor partilhada em palavras bonitas, cantadas, lançadas ao ar (“É no ar que ondeia tudo! É lá que tudo existe”, como dizia o poeta) para que as agarremos, condoídos na dor que se cozinha em fogo lento, brando, queimando pequenos pedacinhos da alma que nem sabíamos que existiam.

E depois há ainda o AMOR (assim mesmo, em letras grandes) que parece ser um rio em que é difícil navegar e onde todos desaguaremos cansados, jazentes, mas prontos a “recomeçar”, até porque o que queremos “é gostar de alguém” como quem gosta de canções feitas para gostarmos delas.

E depois, quando nos garantem que se pode morrer “por dentro”, é chegada a hora de emergir, recuperando os mesmos tempos e espaços sem lugar. E, uma vez mais, “recomeçar”.

Tudo tem princípio e fim. Tudo começa e acaba, mas o eco desses caminhos ainda pulsa, pulsa agora, pulsa sempre, tanto no peito como na mente. Que encanto teria a vida, que prazer, se nela não houvesse, mesmo que apenas por momentos, um coração que de tão ativo, precisa de adormecer?

(Imagem de um concerto no Brasil de Felipe Giubilei)

Criado em 2005, o Altamont é, no seu âmago, um lugar de união para quem gosta de música. Evoluindo e crescendo, mas sem perder a inocência e ingenuidade que lhe dá o seu lado mais verdadeiro, o Altamont tentará cumprir com o propósito que sempre lhe pautou o caminho – ser um local de descoberta e partilha para quem ainda tem tempo para ouvir um disco de uma ponta à outra.

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