Reportagens

Spoon || Coliseu dos Recreios

De regresso a Portugal pela segunda vez este ano, depois de passarem pelo NOS Alive, os Spoon apresentaram-se em Lisboa perante uma sala meio cheia. As bancadas estavam praticamente vazias e na plateia havia espaço suficiente para circular sem encontrões mas isso não desmotivou a banda de Britt Daniel, que deu um espectáculo consistente e cuidado.

Os Spoon abriram logo com um tema do novo disco: “Do I Have to Talk Into It” marcava a primeira parte do concerto, que arrancou com alguma tranquilidade mas que gerou boas reacções da plateia. Revisitando logo algumas canções mais antigas, como “Inside Out”, “I Turn My Camera On” ou “Rainy Taxi”, Britt Daniel começou cedo a empoleirar-se no palco, interagindo com os restantes membros da banda.

Houve alguma calma no que podemos considerar a primeira fase do concerto, até ao portento instrumental que é “Via Kannela”. Britt Daniel deitou-se e deixou o palco para a banda. E continuou a cantar deitado durante uma parte da música seguinte, “I Ain’t the One”, regressando ao disco Hot Thoughts. Foi a partir daqui que o público começou verdadeiramente a reagir, acompanhando com palmas algumas músicas mas sem grandes coros ao longo das faixas mais conhecidas da banda.

“Can I Sit Next To You” provocou a sensação de mini pista de dança e animou a plateia até ao encore, onde os Spoon realmente se esmeraram no alinhamento: de seguida ouvimos “WhisperI’lllistentohearit”, perante palmas e gritos do público, “Pink Up” e, finalmente, “Hot Toughts”, que era a canção que todos esperavam e a que provocou uma maior efusividade, transformando o Coliseu, outra vez, numa mini pista de dança. A fechar, “Rent I Pay”, que deixou o público a pedir mais.

Os Spoon deram um concerto sólido e consistente e a intrusão entre os membros da banda, que praticamente não precisam de comunicar entre si, é notável tendo em conta que restam apenas dois elementos da formação original. Tecnicamente não falham e mereciam uma sala mais cheia. Mas fica a sensação de que falta qualquer coisa ao quarteto: falta um verdadeiro hino de estádio, falta um verdadeiro rasgo em palco, um momento de descontrolo ou de maior interacção que torne o concerto verdadeiramente memorável. Para quem esteve no Coliseu, o espectáculo não desiludiu mas também não vai deixar uma memória duradoura.

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Fotografias: Inês Silva