Reportagens

Primavera Sound 2016 Barcelona – Dia 2

Titus Andronicus

Patrick Stickles e companhia iniciaram o segundo dia do Primavera Sound com a intensidade que caracteriza o brilhante “The Most Lamentable Tragedy”, editado no ano passado. O horário pareceu não ser o mais adequado a Titus Andronicus, ficando a dúvida se não deveriam actuar sempre à noite, onde funcionam plenamente, como pudemos confirmar nas passagens anteriores por Portugal – mas, com canções com o génio de “Dimed Out”, o cenário nunca será o mais importante.

Lush

O Primavera Sound costuma incitar reuniões por parte de bandas originadas nos anos 80 e 90. Muitas delas, britânicas e a pertencer ao que se costuma chamar de shoegaze: My Bloody Valentine, Ride, Slowdive – e agora Lush. Formadas por membros originais como as mulheres rockeiras Miki Berenyi e Emma Anderson, a quem se juntam Phil King e ainda Justin Welch, antigo baterista de Elastica (que ocupa o lugar do falecido Chris Acland), as Lush deram um concerto para um público receptivo, claramente presente propositadamente.

O alinhamento incluiu clássicos shoegaze como Thoughtforms, Superblast e De Luxe, canções mais britpop como Hypocrite e Ladykillers, o novo e excelente single Out of Control, acabando ainda com Sweetness & Light. Será um bom sinal se continuarmos a ver as Lush pelo mundo nos próximos anos, autoras de uma forma de composição de canções já não tão comum nos dias que correm – e o material mais recente é muito prometedor.

Beirut

Tendo apenas assistido ao concerto de passagem, pudemos apenas confirmar que a música dos Beirut se adequa – tal como já fez em anos anteriores – ao pano de fundo que é o pôr-do-sol dos bonitos finais de tarde em Barcelona. Mantiveram a tradição na linha das bandas de música gentil no Primavera Sound, na qual podemos incluir também Fleet Foxes, por exemplo.

Robert Forster

O Auditori é uma sala com condições fabulosas para se assistir a um concerto. Foi lá que actuou Robert Forster, líder dos históricos The Go-Betweens – heróis do indie rock australiano, no final dos anos 70. O público mostrou sinais de reverência pelo legado de Forster e pelo facto deste só actuar fora da Austrália meia dúzia de vezes por ano. O concerto acabou com aclamação total e com uma sensação de agradecimento por parte do público, face à história de Forster.

Radiohead

Já há muitos anos, que cada concerto de Radiohead é uma incógnita. Mas o grupo de Thom Yorke, um dos maiores cabeças-de-cartaz da actualidade, dá a sensação de praticamente só fazer o que quer, mesmo que isso signifique que a primeira hora do concerto possa ser bastante monótona – e foi isso que aconteceu neste caso. Ninguém deve dizer às bandas o que elas devem tocar; como público, devemos estar abertos a surpresas e a diferenças. Contudo, os concertos de Radiohead beneficiariam de um bom bocado mais de verve. O alinhamento completo foi: Burn The Witch, Daydreaming, Decks Dark, Desert Island Disk, Ful Stop, National Anthem, Talk Show Host, Lotus Flower, No Surprises, Pyramid Song, The Numbers, Karma Police, Arpeggi, Everything In Its Right Place, Idioteque, Bodysnatchers, Street Spirit + Bloom, Paranoid Android, Nude, 2+2=5 e There There.

Dinosaur Jr.

Três anos depois do concerto no Primavera Sound, no ano de reunião da formação original de uma das bandas mais importantes do indie rock americano dos anos 80, os Dinosaur Jr. apresentaram-se, desta vez, ainda em melhor forma. J Mascis nunca vai ser o músico mais extrovertido (é uma espécie de campeão da introversão), mas longe parecem estar os anos da dinâmica tóxica e desligada entre os membros do grupo – em particular, entre Mascis e o também incrível Lou Barlow, autor de excelentes discos a solo e líder de uma pequena banda irrelevante chamada Sebadoh.

Dinosaur Jr., como sempre, tocam a uma velocidade: mais ou menos 80 km/h. Do início ao fim. É assim que é. Não obstante, este ano funcionou ainda melhor. Muito terá influenciado a residência recente no Bowery em Nova Iorque. Não faltaram Start Choppin’, Freak Scene, Feel the Pain e “aquela” cover de Just Like Heaven.

Royal Headache

Uma passagem breve pelo concerto de Royal Headache permitiu ver que os jovens australianos muito devem a bandas como os Replacements, os Undertones e os Dickies – o que, naturalmente, é muito bom. O vocalista Shogun tem uma presença forte e uma abordagem comparável a Samuel Herring, de Future Islands. Mas com uma banda que toca uma mistura entre garage rock e aquele punk melódico da passagem dos anos 70 para os 80.

The Last Shadow Puppets

Com Alex Turner e Miles Kane em boa forma de palco, prestes a apresentar o novo álbum Everything You’ve Come To Expect, recentemente editado, seria de esperar o concerto de qualidade que aconteceu. Contudo, a vontade de Turner ser um entertainer, acima do excelente compositor de canções que é, parece estar a acentuar-se com os anos, seja aqui ou em Arctic Monkeys. E isso é capaz de estar a prejudicá-lo, porque os concertos têm momentos em que o investimento mútuo entre Turner e o público parece forçado, ou mesmo fictício – e a culpa é de ambos. O que é problemático, apenas porque esse desligamento provoca tédio.

The Avalanches

Mais outra presença australiana, desta vez a ser o grande nome da madrugada deste dia. Tal como com Battles na noite anterior, a maior parte dos resistentes do festival reuniram-se em torno do concerto de Avalanches – um grupo que raramente toca ao vivo. Funcionou como uma dupla de DJs mais orgânica, como se 2 Many DJs decidissem pegar em instrumentos e fazer, eles próprios, covers de clássicos como Let’s Dance, de David Bowie. Aguardamos para descobrir como serão numa sala mais pequena, o que acontecerá no domingo.

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Fotos cedidas por Eric Pamies, Cecilia Diaz Betz, Santiago Periel e Dani Canto

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