Destaques

“A minha fotografia sou eu”: o fabuloso mundo de Linda McCartney

Linda McCartney nasceu em 1941 em Nova Iorque. Antes de McCartney era Eastman e, tal como um dos Eastman’s mais conhecidos da história, enveredou pela fotografia e com ela imortalizou toda uma geração que só queria mais flores e paz no mundo. No prefácio do livro Life in Photographs, Paul McCartney afirma que “ao tentar responder à questão ‘quem foi o fotógrafo mais importante que cobriu a cena musical rock and roll dos anos 60?’, não consigo pensar em mais ninguém cujo trabalho seja tão abrangente e que capturou melhor a sua essência que a Linda”. E em relação a isso não há dúvida nenhuma.

A fotografia para ela começou por insistência. Foi apenas quando estava a viver no Arizona que um amigo dela insistiu para ir com ele a umas aulas de fotografia à noite no Tucson Art Centre. Foi aí que o universo sombrio de Walker Evans e Dorothea Lange chegou a ela e, como acontece com qualquer outra pessoa, não a deixou indiferente. Fotografias que retratam uma era de pobreza, depressão e sujidade, mas, acima de tudo, são o retrato imortalizado de uma época. Foram estas as fotografias que inspiraram Linda a comprar a sua primeira máquina fotográfica e os primeiros rolos, e foi assim que tudo começou.

Após a morte da sua mãe em 1962 e de se ter divorciado de Melville See, com quem teve Heather, a sua primeira filha, Linda voltou para Nova Iorque. Aí conheceu David Dalton, fotógrafo de profissão por quem se apaixonou e com quem aprendeu a arte da técnica fotográfica. Cedo começou logo a fotografar bandas da altura e a ganhar alguma popularidade com isso. Paul McCartney afirma que a diferença entre Linda e os outros fotógrafos da altura era que Linda sabia quem estava a fotografar. Isso e a beleza sofisticada com que se apresentava perante eles levava-os a fazerem o que ela quisesse à frente da câmara. Coisa que não acontecia com mais ninguém.

E foi logo em 1967 que conseguiu apontar a sua câmara aos Stones, numa festa num iate quando a banda estava em tour pela América e à procura de alguma publicidade. Foi a partir daí que começou a fotografar para revistas conceituadas como a Rolling Stone (em maio de 1968, foi a primeira mulher a ter uma fotografia na capa da revista com o seu retrato a Eric Clapton) ou para a revista de moda Mademoiselle, para a qual fez uma série de retratos de músicos com modelos.

Além do seu papel na imprensa, Linda tornou-se também a fotógrafa principal do Fillmore East, o espaço de concertos dirigido por Bill Graham em Manhattan e onde disparou sobre os principais nomes da música rock dos finais dos anos 60. Nessa altura, “eu não fazia ideia que estava a fotografar futuros ícones”, afirmou Linda numa entrevista à BBC em 1994. Segundo Martin Harrison, curador de profissão e crítico de arte e fotografia, “documentar estes músicos não era simplesmente um trabalho, era parte da vida dela. Ela identificava-se com eles, saía com eles e divertia-se com eles”. Era esta amizade que mantinha com certos músicos e o à vontade que eles sentiam pela sua presença de câmara na mão que faz com que Linda seja a autora dos melhores retratos desta geração e parte da sua eternização.

O seu primeiro contacto com os Beatles foi ainda em maio de 1967 em Londres, numa sessão de lançamento de Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band na casa de Brian Epstein, manager da banda. Apesar de ter mantido contacto com eles depois de voltar para Nova Iorque, foi apenas um ano depois que Linda e Paul se apaixonaram, e um ano depois que Eastman passou a McCartney. Linda mudou-se para Londres, Paul adoptou formalmente Heather, teve mais três filhos e com ele teve também os Wings, após a dissolução dos Beatles.

Este slideshow necessita de JavaScript.

No início dos anos setenta e até à sua morte em 1995, vítima de cancro da mama, disparou maioritariamente sobre Paul e sobre os seus filhos, que cresceram a ver a mãe de câmara na mão. Mas a sua fotografia tornou-se também numa espécie de crítica social. Fotografar bandas já não era o seu principal interesse, mas sim a câmara como instrumento de comentário e de análise social, o mesmo caminho daqueles que conheceu quando estava a viver no Arizona e que a influenciaram a pegar numa câmara. As suas fotografias tornaram-se maioritariamente acerca de questões de defesa dos animais, assunto pelo qual se manteve activista até aos seus últimos dias de vida. “Uma boa fotografia é para mim… uma coisa que te irá fazer reagir, parar e olhar e pensar realmente. Mesmo… uma fotografia vale mais do que mil palavras”, afirma Linda. E tão certa que ela está.

Annie Leibovitz disse que a “fotografia oferece-nos a garantia de que não vamos ser esquecidos”. A geração dos sessentas e quem estava à frente da sua cena musical está imortalizada no trabalho de Linda McCartney. É com ele que fazemos este regresso ao passado e parte do nosso amor por esta geração é devido a imagens como as dela. A linda Linda nunca vai ser esquecida, e é para fazer coisas destas que aqui estamos.