Reportagens

Marcelo Camelo || Belém Art Fest

Marcelo Camelo apresentou-se no formato intimista a que nos habituou nos claustros do Mosteiro dos Jerónimos, e que lugar alquímico para levar a cabo este concerto.

Passaram 5 anos desde que Marcelo Camelo subiu a palco em nome próprio, e esse tempo que parecia absoluto resultou num regresso, voz e guitarra, inserido no Belém Art Fest 18’.

Marcelo Camelo era, a par com Rodrigo Amarante, membro principal da banda brasileira da viragem do século, Los Hermanos, que terminou com a apologia de que os integrantes queriam dedicar-se aos seus projetos a solo. No entanto, é algo ainda muito presente, e como quem gosta gosta, continuamos a gostar e a saber, e dessa forma justifica-se a presença de tantas músicas da banda no alinhamento deste concerto.

A música escolhida para dar mote foi “Boca de Rio Seco”, uma novidade confirmada pelo cantautor. Seguiu-se “Luzes da Cidade”, que podia ser a tradução da comédia romântica protagonizada por Charlie Chaplin, mas neste caso é a música de abertura do álbum Ao vivo Theatro São Pedro, e os ânimos aqueciam para dar entrada numa “Casa Pré Fabricada” que está na ponta da língua do público, não fosse um clássico do segundo álbum de estúdio da banda Los Hermanos, Bloco do Eu Sozinho.

Marcelo achou por bem tocar “Pra Maria”, tema que escreveu para se interpretado por Maria Rita, a cantora brasileira filha da enorme Elis Regina. Maria Rita que também popularizou “Cara Valente”, outra canção dos Los Hermanos, que Marcelo Camelo cantou nesta noite de repertório icónico.

Apesar do público saber para o que ia, o carioca parecia não saber, e demonstrava assim uma ingenuidade pura que lhe é característica, de quem pensa que o público não conhece as suas músicas.

“Dois barcos”, “Pois é”, “A Outra”, “Morena”, seguiram umas atrás das outras, e os sorrisos alastravam-se pelo público que não apresentou nem um traço de acanhamento.

Também houve tempo para tocar “Dia Clarear”, tema da Banda do Mar, a primeiro “filha” do carioca com Mallu Magalhães, de sonoridade muito característica.

Por entre obrigados, Marcelo agradeceu bastante ao nosso país, afirmando que sempre se sentiu muito português, e que aquele lugar onde tocava lhe trazia uma calmaria que não o deixava ficar nervoso.

No fim da primeira parte do concerto, Marcelo sai de palco com uma ovação fenomenal, o que o força a voltar para um encore, ainda que não me pareça ter sido minimamente forçado.

Foi um curto encore a la carte, onde as mais pedidas foram: “Santa Chuva” – um hit de Sou – e a inesperada “Vermelho”.

Marcelo Camelo voltou para confirmar que a forma blasé a que nos habitou não impossibilita o facto de ser um compêndio da simplicidade emocional.

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