Canção do dia

“Bocca di rosa” – Fabrizio De Andrè

Em Itália, “Bocca di Rosa” é um hino nacional. Canta-se entre a família e sai a plenos pulmões, sem que ninguém se preocupe com afinações a bordo do carro. E é sobre uma prostituta que acaba a liderar uma procissão.

Fabrizio De Andrè é, sem grandes oposições, o maior cantautor italiano de todos os tempos. O cantor anarquista cuja guitarra se dedicava aos marginalizados e que, em “Bocca di Rosa”, tem uma das suas canções mais célebres.

Tudo começa e termina numa estação de comboios. Ao chegar a uma aldeia, “Bocca di Rosa” seduz os homens com o “amor que fazia” nem por “aborrecimento” nem por “profissão”: só porque era uma mulher apaixonada. Mas as esposas irritadas queixam-se à polícia e ela é expulsa da aldeia, apesar da despedida sentida protagonizada por muitos homens, do comissário da polícia ao sacristão.

Mas o desgosto não dura muito tempo: na próxima paragem, “Bocca di Rosa” é esperada com flores e beijos lançados das mãos e acaba ao lado do padre numa procissão. E De Andrè termina a cantar este singular sítio em que se vivem lado-a-lado “o amor sagrado e o amor profano”.