Reportagens

Beatriz Pessoa // Jamie Cullum || EDP Cool Jazz 2017

A última noite do EDP Cool Jazz deste ano foi triunfal. Os dons artísticos de Jamie Cullum arrebataram o coração do público de Oeiras.

Chegou ao fim a décima quarta edição do EDP Cool Jazz de 2017. Foi uma pequena maratona de sete noites e de catorze concertos. Como sempre acontece nestas coisas, alguns deles (uns mais do que outros) ficaram gravados nas nossas cabeças. No entanto, se quisermos pensar na totalidade dos espetáculos, a edição que terminou ontem foi bastante interessante e positiva. Ficámos também a saber que o Festival do próximo ano já está em marcha, até porque estas coisas de escolher, programar e contratar leva o seu tempo, e todos estamos bem cientes de que ele passa demasiadamente depressa. Gostaríamos de destacar o espaço dado à música portuguesa pelo EDP Cool Jazz. Foram sete os nomes que passaram pelos palcos dos Jardins do Marquês de Pombal e do Estádio Municipal de Oeiras, o que não deixa de ter bastante importância. Isto sem contarmos com os showcase que iniciaram as noites de todas as datas do Festival. Nomes que nascem agora, outros que já nos acompanham há muito, houve de tudo. A organização, como sempre, esteve à altura do acontecimento. Posto isto, vamos lá ao que importa dizer sobre o duplo concerto de ontem.

Na primeira parte, a menina Beatriz Pessoa, na segunda o multi-repetente em terras lusas, Jamie Cullum. Mas vamos primeiramente à Beatriz que tem apelido de poeta. Apesar de quase não ter peso discográfico (apenas um EP de três temas na bagagem, mas a gravar o primeiro longa duração) a sua presença em palco revelou uma voz doce, competente, vagueando por estilos indefinidos, ora com um pé em terrenos mais próximos do jazz (mas sem o habitar, de facto), ora experimentando fusões com uso de spoken word, por vezes em língua inglesa, outras vezes no nosso idioma. O concerto foi mínimo, deu-se em menos de meia hora, o que se compreende pelo que acima fomos dizendo. Ficou a curiosidade de ouvir o disco que aí vem.

Pequeno intervalo para as necessárias alterações de palco, e pelas vinte e duas e trinta surgiu o pequeno músico, acrobata e crooner, gigante na maneira de se entregar ao público. Com novo disco a caminho, e já com um primeiro single conhecido (“Work of Art”), Jamie Cullum dispôs-se a apresentar temas novos e outros de um passado com história feita, inclusivamente no EDP Cool Jazz, onde se apresentou em 2013, se a memória não nos engana. O primeiro bom momento aconteceu com “When I Get Famous” (gostamos sempre de ouvir o verso “Wearing your Morrissey t-shirt”, vá lá saber-se a razão), que é festiva por todos os seus poros, o que fez com que Cullum subisse para o topo do piano e ali cantasse alguns breves versos dessa mesma canção. Jamie Cullum é um entertainer, um one man show. Seja em registos de blues, de jazz ou de qualquer outro estilo, há muitas vezes uma certa noção de espetáculo que o músico inglês não perde de vista. Esse aspeto lúdico está sempre presente e isso é claramente do agrado de quem vê as suas atuações. Como em “Next Year Baby”, que teve acompanhamento do público, de forma bem ordenada e comandada pelo musico. “What a Difference a Day Made” foi outro cosy moment, de tão agradável e acolhedora que a canção é, sendo que o interlúdio de contrabaixo ajudou bastante à magia do momento, límpido e certeiro. Outra das características dos concertos de Jamie Cullum é o facto de gostar de fazer versões de temas de outros artistas. Ontem coube a vez a “Shape of You”, de Ed Sheeran, que o público de imediato percebeu e recebeu com entusiasmo. Noutro instante de boa animação, desceu do palco e veio confraternizar com dezenas de pessoas que estavam nas primeiras filas da plateia, aos abraços, dançando, fazendo a festa.

Foi assim o espírito da última noite do EDP Cool Jazz, que fechou em grande estilo com o endiabrado pequeno gigante inglês. Os portugueses adoram-no, é um facto que não se pode negar, de tão evidente. Jamie Cullum cumpriu a promessa feita no início. Disse que ia deixar tudo em palco para que a noite fosse perfeita. E esteve bem perto desse patamar impossível de alcançar. Quando assim é, a satisfação só pode ser grande. Por causa dele, Oeiras passou a noite a dançar e a sorrir.

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Fotografias gentilmente cedidas pela organização

 

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