Ricardo Romano
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"Um bom disco justifica sempre os meios”- defendeu-se Ricardo Romano, ao ser acusado de ter vendido o rim esquerdo da sua tia entrevada para comprar uma edição rara do Led Zeppelin II - o melhor disco de sempre. O juiz não se convenceu, mandando-o para uma prisão com condições desumanas, onde uma vez foi obrigado a ouvir do princípio ao fim um disco do Neil Diamond. Actualmente em liberdade, cumpre pena de trabalho a favor da comunidade no site Altamont mas a proximidade com boas colecções de discos não augura nada de bom.

“Shady Lane” – Pavement

Os Pavement sempre fizeram questão de ignorar essa irrelevância chamada mundo.

Pavement – Crooked Rain, Crooked Rain (1994)

Um disco dissonante mas soalheiro, como se os Sonic Youth tocassem viola na praia ou os Dinosaur Jr. fizessem amonas aos Beach Boys.

Courtney Barnett – Tell Me How You Really Feel (2018)

Ensonada e querida como um coala constipado, Courtney desceu do seu eucalipto para nos entregar mais um grande disco. Quando todas as notas e palavras estão certas, não há como não lhe perdoar o desencanto que agora nos traz.

Asimov and the Hidden Circus || Sabotage

Quem teve a sorte de descer ao Sabotage na noite de sexta-feira viu um concerto muito especial dos Asimov. A cerimónia xamã foi angustiante; mas purificadora.

Portishead – Dummy (1994)

Dummy é lúgubre mas sensual, como o decote lânguido de uma viúva chorosa.

Neil Young – After the Gold Rush (1970)

Em After the Gold Rush, Neil Young descobre-se pela primeira vez um melodista fora de série. São melodias memoráveis, umas atrás das outras, sem qualquer gordura no entremeio. Só filé mignon.

Roger Waters: há vida para além dos Floyd

Sozinho, Waters nunca conseguiu repetir a perfeição de um Dark Side of the Moon. Podia ser o principal criador dos Floyd mas a banda sempre foi muito maior do que o ego do seu baixista. Ainda assim, valeram bem a pena estes seus quatro belíssimos discos. É este o o percurso pós-Floyd que realmente queríamos? Claro que sim.

Capote Fest 2018

Quando tudo neste admirável mundo novo conspira contra o rock, há algo de muito nobre neste gesto de resistência chamado Capote Fest. Uma aldeia gaulesa resiste…

Roger Waters – The Pros and Cons of Hitch Hiking (1984)

Os fantasmas de Roger Waters ganham aqui forma: uma crise de meia-idade; a autópsia de um casamento a ruir; a traição, o desejo e a culpa. Uma revelação lúcida dos “segredos dos locais, que no fundo são iguais em todos nós.”

Dead Combo – Odeon Hotel (2018)

Odeon é nossa Lisboa atravessando a rua, indo do que foi para o que será.

DJs Altamont associam-se à terceira edição do Capote Fest, em Évora

Entre 10 e 12 de Maio, acontece a terceira edição do Capote Fest, o grande festival eborense da nova música portuguesa.

Arcade Fire || Campo Pequeno

Ontem foi uma noite mágica. No seu primeiro concerto em nome próprio em Portugal, os Arcade Fire encheram-nos a alma de um êxtase quase religioso. Podia mesmo ser de outra forma?

Arcade Fire – Funeral (2004)

Porque é que Funeral é tão imenso, considerado por muitos como o disco da sua década? Pela sua originalidade? Pela sua beleza? Estamos em crer que a  resposta é outra: pela primazia quase fascista da emoção.

Bob Dylan || Altice Arena

Que enorme privilégio termos estado ontem a poucos metros de um ícone vivo, o qual, por mais que tente dessacralizar-se com quilos de misantropia e insolência, será sempre o primeiro entre os gigantes.

“The Book I Read” – Talking Heads

“Parei de ouvir David Byrne e seus compinchas nos anos 80 quando eles escolheram concentrar-se em fabricar pastiches funk yuppizados para brancos sem qualquer sentido de ritmo. Já esta (subestimada) canção do seu disco de estreia foi um dos meus temas favoritos de 1977.” (Nick Kent, “Apathy for the devil”, 2010)

“Tropical Hot Dog Night” – Captain Beefheart

“Este samba infeccioso e demente era a prova que me faltava para mostrar que Beefheart regressara por fim ao seu trono natural: o indiscutível rei da esquisitice.” (Nick Kent, “Apathy for the devil”, 2010)

“Señor (Tales of Yankee Power)” – Bob Dylan

“O ponto alto do insípido Street Legal de ’78 é a melancólica “Señor, Dylan ainda chafurdando no desespero e na traição, imediatamente antes de ter sido tocado pelas mãos de Deus.” (Nick Kent, “Apathy for the devil”, 2010)

Jonathan Wilson – Rare Birds (2018)

Ao terceiro capítulo, Jonathan Wilson acrescenta ao seu rock clássico algumas incursões sobre o soft rock. As canções continuam belíssimas mas a sua desmedida ambição prega-lhe algumas rasteiras.

Criado em 2005, o Altamont é, no seu âmago, um lugar de união para quem gosta de música. Evoluindo e crescendo, mas sem perder a inocência e ingenuidade que lhe dá o seu lado mais verdadeiro, o Altamont tentará cumprir com o propósito que sempre lhe pautou o caminho – ser um local de descoberta e partilha para quem ainda tem tempo para ouvir um disco de uma ponta à outra.

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